Livro: O Rei do futuro. E o laço de Elisa
(escrevendo)
O
Rei do futuro
e
o laço de Elisa
Lavrador
Rio de Janeiro, 14
de novembro de 1889.
Não é possível
soletrar Brasil sem dizer o meu nome, já teve saudade de alguém
quem nunca conheceu? Sei que toda utopia merece sólido contexto, em
outras palavras, corrente, capuz e prisão. Lhes dou tudo que tenho,
meu mundo; Terra, como palco desta, mas neste jardim de túmulos não
vou dizer às flores dos frutos.
Eu sou o futuro, um
último instante de Brasilidade. Sou um personagem-narrador desta
história, no momento não vem ao caso saberes da minha em
particular, mas para narrar esta aventura preciso começar do início
cronológico mais plausível e ironicamente este se dá no fim de um
longo e proveitoso período do meu país, apenas 3 horas antes dos
sinos da capela imperial anunciarem o dia 15 de novembro de 1889.
À praça que levaria o
nome deste dia anoitece um homem encapuzado de frente ao paço.
Facilmente confundiria se com um frei desembarcando pela estação de
barcas Rio-Niterói na mesma escada em que 81 anos antes (embora eu
não fosse nascido em 1808 para servir de testemunha ocular) teria
subido Dom João VI e sua corte, se não fosse por um detalhe, aquele
homem revelara-se uma mulher no delicado levantar do capuz. Linda dos
seus 25 anos, Elisa, caminha depressa cruzando a iluminada Praça de
Dom Pedro II até a Rua primeiro de março.
Nesta quinta para
sexta, não era café que o carioca bebia nos cafés, mesmo assim a
moça segue até uma taberna em frente à Igreja de Nossa Senhora do
Parto, na rua São José. Foi a primeira vez que a vi pois
ocasionalmente seguia pela rua em minha carruagem. Não a esqueço,
pois, antes de entrar no café ela usou um smartphone preso à fivela
do cinto para alterar seu traje holográfico de uma túnica para algo
que eu descreveria como enlouquecidamente provocante.
Dentro, o forte cheiro
de tabaco, o estalar das bolas de bilhar e a bebedeira dos presentes
em sua maioria homens, pretos e brancos, contrasta com a porcelana da
pele dela que sem mais, pede uma taça de vinho. A única outra moça
do recinto era Francisca Edwiges mais conhecida como Chiquinha
Gonzaga que quase imediatamente a convida para sua mesa junto aos
amigos. Elisa aceita o convite para deleite dos sentados, papo vem e
papo vai até que Elisa solta o boato: - Soube hoje à tarde que
Visconde de Ouro Preto expediu uma ordem de prisão a Benjamin
Constant e Deodoro da Fonseca.
Para a perplexidade dos
boêmios seria necessário um assunto que mais combinasse com o teor
alcoólico da mesa, porém não impediu que militares presentes
ouvissem e repassassem o boato ao Marechal Deodoro que, sentindo-se
ameaçado, poucas horas depois já estava liderando o golpe que
destronaria Dom Pedro II.
O Rei
do Futuro
Rio de Janeiro, 15
de novembro de 1889 (No dia seguinte).
Às 5 horas da manhã a
rotina no paço imperial de Petrópolis estava agitada, Dom Pedro
acordava cedo para aproveitar a luz do dia e embora esta fosse a
única residência da américa latina que possuía um telefone, e
além disso, ligava-se à Portugal, e embora o Rio de janeiro tivesse
sido a única cidade da também américa latina e segunda do mundo, a
possuir iluminação elétrica; no paço de Petrópolis eletricidade
não havia.
Bacias de prata lotadas
d’agua ziguezagueavam pelo corredor do sobrado, junto às negras
empregadas rumo aos aposentos do imperador. Era dia de tratar e
aparar a barba que lhe tanto coçava o Rei, sua filha Isabel teria
corriqueira honra da tesoura e navalha para fino cuido, se não fosse
aquele telefonema.
Embabado de espuma para
barba e babadores, nosso Pedro se levanta da penteadeira da filha e
corre ao aparelho que berrava, gritando -Eu atendo, deixem que eu
atendo!
Do outro lado da linha
anunciava-se o golpe, pelas palavras do seu braço direito no paço
da praça. Pedro e família descem de trem rumo ao centro do Rio, sem
saberem que nunca mais voltariam para casa. No vagão real, para
acalmar sua rainha e princesas, Pedro tenta descontrair dizendo:
-Sabe o que ficaria bem num trem? –Telefone, imagine, eu poderia já
estar resolvendo esta pendenga a caminho do Rio. –Vou ligar para
meu amigo Graham Bell quando voltarmos à Petrópolis ainda hoje para
lhe sugerir a ideia.
Chegando no paço,
cerca de 300 militares renderam e obrigaram toda a família imperial
a zarpar em exílio à Portugal vestindo a própria roupa do corpo.
Com excelente aprovação popular, principalmente pela recém
abolição da escravatura, executa-los seria impensável, assim como
dar continuidade ao projeto de bolsa família e auxílio moradia aos
800.000 recém libertos, como pretendia o Imperador.
Enquanto a família
imperial era banida para Portugal sob a flâmula da nova ridícula
bandeira brasileira que imitava a dos Estados Unidos em
verde-amarelo, no Rio, terminando sua última taça de vinho
passeando pelo vazio paço de golpe, completamente nua sem o disfarce
holográfico, observando ao longe o navio Alagoas pela larga janela
do paço imperial, Elisa adentra à sala do trono, olha para ele por
alguns segundos, avista a espada que pertenceu a Dom Pedro I, exposta
na parede e com ela risca de ódio o quadro de Dom Pedro II jovem.
A noite fria deste mar
expulso contrasta com pedidos de ajuda em garrafas lançadas por
princesa Isabel e Teresa Cristina futuramente encontradas pela
população que assistia bestializada a tomada da república da
espada.
Nos Porões do navio
Alagoas Pedro Augusto urrava em crise. Ele havia sido tratado sob a
doutrina espírita de Hippolyte Léon (Allan Kardec) velho amigo da
casa imperial, que lhe mantinha sadio até este dia, mas com a pesada
realidade de não mais se tornar Dom Pedro III do Brasil, o neto
tremia-se estirado no chão.
A noite cada vez mais
trovejante fazia o navio tremer junto às convulsões de Pedro
Augusto. Dom Pedro desce e o tenta acalmar, segura por um manto,
abraça, e ao pé do ouvido diz ao neto:
-Calma, vovô tem um
plano.
-Tem? Que plano vô?
-Shhhhi, fale baixo.
Meu neto, por que acha que nunca cortei a barba?
-Sei lá, sempre achei
que fosse por que o senhor morde invertido e tem esse queixão de
babuíno.
-Não seja estúpido
Pedrinho, cultivo esta barba para poder mudar de rosto imediatamente
se preciso, lembre-se, faz 20 anos que meu rosto não é visto por
ninguém. Existe planos para se construir uma estátua em homenagem a
sua mãe, pela benfeitoria na assinatura da lei Aurea. Esta é a
minha última carta da manga, com minha influência consegui
assegurar que o monumento ou parte dele fosse construído em Paris,
para onde vamos logo após Portugal. Retornarei irreconhecível
dentro dum cavalo de Tróia carioca.
-Mas e se não der
certo vovô? Não teremos mais ninguém do nosso lado.
-Só tenho uma palavra
para isso meu neto, Redentor.
Paris, 15 de
novembro de 1889 (Ao mesmo tempo).
Nisso em Paris 4 amigos
reuniam-se no humilde apartamento de Gustave Eiffel ao topo de sua
torre.
A torre Eiffel estava
particularmente um pouco mais escura nessa sexta-feira, acredito que
toda luz de Paris cabia dentro dela, em sua ponta de torre, no
pequeno apartamento de Gustave: Graham Bell, Thomas Edisson e Nikola
Tesla reuniam-se esta noite para o experimento científico mais
importante de suas vidas. Todos membros da sociedade secreta STD
(Spacetime Defenders) iniciada em 1859 pelos três amigos: Hippolyte
Léon, Michael Faraday e Charles Robert Darwin.
Graham Bell acerta as
últimas configurações do seu aparelho telefônico ligado a torre,
Thomas Edisson liga as chaves disjuntores abastecendo o sistema de
energia elétrica e Nikola Tesla ativa o raio que faria da torre uma
antena ao cosmo.
Sentados frente ao
aparelho, Graham Bell com um cone junto a boca como microfone gira o
botão potenciômetro a procura de uma frequência de resposta sempre
repetindo em inglês a cada tentativa: -Alô, aqui é Graham Bell
falando de 1889, este é o primeiro experimento de ligação
temporal, há alguém do outro lado da linha? Tentaram isso por
algumas horas até que desistiram. Sentados nas poltronas
compartilhando algumas doses de whisky, charutos e ideias Edisson
diz: -Não entendo, deveria funcionar, devemos estar fazendo alguma
coisa errada.
Eiffel: -Acho que
tomamos o devido cuidado para cada uma das etapas.
Tesla se estica para
encher novamente o copo, coloca um punhado de gelo: -Vamos
recapitular, sabemos que o laser de ferro está acima da velocidade
da luz, sabemos também que qualquer sinal partindo dele pode se
comunicar com a torre esteja ela no passado ou no futuro.
Bell: -E que a torre
está conectada ao aparelho telefônico, que fora instalado hoje,
porém só poderíamos falar com este aparelho a partir do hoje.
Tesla: -Correto. –Mas
é preciso que haja quem atende-lo.
Eiffel: -Quanto a isso
creio que não seja o problema, pois as reuniões semanais da STD
migraram para cá desde abril e continuarão acontecendo enquanto a
sociedade existir.
Bell: -E mesmo que
sejam apenas nas sextas, ao percorrer as frequências no aparelho
acabaríamos inevitavelmente esbarrando com alguma possível conexão
de um dos nossos futuros encontros aqui.
Tesla: -O que nos leva
a crer em apenas duas possibilidades; ou por força maior não mais
nos encontraremos, ou meu raio está refletindo na atmosfera e com
isso perdendo velocidade. -E para isso precisaremos dispara-lo do
espaço.
Edisson arremessa e
estilhaça seu copo na parede de metal do apartamento: -Essa merda de
corrente alternada está ferrando com tudo, não teríamos problema
em atravessar a atmosfera com uma poderosa carga de corrente
contínua!
Tesla se assusta e
exprime na poltrona por uma fração de segundos, mas logo se ajeita,
levanta e diz: -Meu querido a supressão do raio é que o define como
laser de ferro, sua infinita dobra é a única coisa capaz de quebrar
a velocidade da luz!
Bell querendo apaziguar
o ambiente pergunta: -Mas quem seria qualificado para esta última
peça do quebra-cabeças?
Eiffel, de pé e copo
meio cheio apoiado na palma da mão e na barriga, olhando pela janela
ao fundo, o horizonte do sol: -Creio que vamos precisar encontrar
nosso quinto elemento.
Paris, 4 de dezembro
de 1891 (2 anos depois).
Caminhando depressa
dentre as carruagens na rua de paralelepípedos enfeitada de natal e
os parisienses da calçada, Alberto Santos Dumont com 18 anos
esbaforido de elegância finalmente chega na oficina de Armand
Peugeot.
O jovem inventor
apaixonado pela cidade luz, se apoia num poste para pegar fôlego por
alguns segundos e logo adentra a fábrica de automóveis.
-Está pronto? Pergunta
o jovem Dumont em impecável francês, referindo ao automóvel Tipo
XV que encomendou a Peugeot nas suas especificações projetadas pelo
próprio jovem inventor. São Paulo ainda não sabe, este será o
primeiro automóvel de motor a explosão do Brasil, e o mundo nunca
soube que, se não fossem as modificações elaboradas pelo jovem
inventor, esta máquina nunca teria virado moda.
Alberto, ao ver o
automóvel montado parece ficar hipnotizado pela criação, logo
ascende o motor pela parte de trás, senta no carro, desengata a
manivela bem devagarinho e fascina-se pelo acelerar da carruagem
solta do passado e puxada pelos cavalos da Belle Époque.
Saindo do galpão,
enfrentando as movimentadas ruas Parisienses, sendo alvo de olhares e
ostentação, em seu pulso toca um despertador estridente, Alberto
logo olha para o relógio e se desespera por estar atrasado para um
decisivo compromisso com a História. Acelera rumo a natalina Torre
Eiffel.
Inglaterra, 4 de
dezembro de 1891 (Ao mesmo tempo).
Enquanto isso na
Inglaterra, no auditório principal da Leicester School of Art,
alunos esperam ansiosos pelo palestrante convidado Dom Pedro II, que
leciona literatura comparada na universidade de Paris em seus anos de
exílio. Cada vez mais e mais alunos de diversos cursos se
amontoavam até mesmo de pé no auditório, quando o anúncio dele.
Ele! Um dos homens mais inteligentes da sua época, fluente em 14
idiomas e 27 dialetos, dentre eles Sânscrito e Tupi Guarani, nosso
nerd brasileiro Dom Pedro II.
Um respeitoso silêncio
impecável acama o ambiente num extenso lençol de retalhos, dos
olhares por vezes tão estudados nos livros mais pesados, mas que no
instante, estaria no discurso do mais respeitado Rei.
No gogó Pedro se
apresenta de boa noite e saúda o nome da instituição no som da sua
voz que nunca alcançou a maior idade, e também nunca lhe foi
problema.
-Boa noite plateia, sou
Pedro, professor de Literatura comparada. –O que é literatura
comparada? –Apenas o explicitar do comum de duas? –O diferente
delas? –Seria mesmo tão simples assim resumir esta matéria? “Lit.
comp.” é a ciência que não só analisa duas obras da mais
distinta uma doutra, como principalmente às funde na grande obra da
vida comparada à ela mesma, como loop, como um laço, como eterno
retorno.
Com um súbito gesto
descobre os dois cavaletes revelando um cartaz em cada.
-Ao meu lado direito
temos a obra Also sprach Zarathustra, título original em alemão,
mas que em inglês significa: Assim falou Zaratustra de Friedrich
Nietzsche.
-Já na esquerda, a de
não menor valor obra: A máquina do tempo do vosso compatriota H.
George Wells. –Entrem meus convidados, por favor.
E entram pelos seus
respectivos lados até seus púlpitos situados cada um em frente ao
cavalete do seu livro, H. George Wells e Friedrich W. Nietzsche, sob
intenso aplauso.
Pedro: –De antemão
agradeço a súbita presença do senhor, Nietzsche, para quem não
sabe era esperado hoje a presença do escritor Júlio Gabriel Verne,
que por algum motivo recusou debater com Wells.
Os presentes não
escondem suas irônicas galhofas.
Nietzsche: –Boa
noite, presentes, Wells. Em sua obra antes mencionada, ficou-me uma
questão. -Por que razão um gênio inventa a máquina do tempo na
literatura sem explicar seu funcionamento? –Fica inevitável pensar
que no seu principal tema, a relação de poder entre as classes, a
explicação ou mesmo discussão seja tão aprofundada quanto sua
máquina.
A plateia ri e Wells
também.
Paris, 4 de dezembro
de 1891 (Ao mesmo tempo).
Nisso, em Paris, já no
quase último degrau da torre Eiffel, Dumont toca a campainha para o
apartamento do engenheiro que o recebe junto aos outros três
Spacetime Defenders.
-Desculpem-me pelo
atraso.
Tesla: -Não se
desculpe, trouxe o balão?
Dumont: -Sim, preciso
da vara de bambu.
Bell: -Tome.
E o jovem põe na ponta
da torre um pequeno balão a hélio. Os membros da sociedade fecham a
porta, Bell checa o aparelho telefônico, Tesla seu sistema, e
Edisson liga os disjuntores.
-Prontos?
Eiffel: -Então como de
costume nas reuniões dos STDs vamos abrir os trabalhos com a oração
da serenidade.
Todos de mãos dadas:
-Concedei-me Senhor do Tempo, a serenidade necessária para aceitar
as coisas que não posso modificar; coragem para modificar aquelas
que posso, e sabedoria para distinguir umas das outras.
Dumont olha para o
pulso junto aos amigos acompanhando cada tiquetaquear do ponteiro
mais fino até seu toque, que toca.
Sincrônico, o relógio
que prendia o balão no alto da torre, o libera como o ballet do
tempo, uma pena que desafia os céus, subindo e subindo. Dentro dele
há consecutivos balões menores um dentro doutro como boneca-russa.
Em cada balão, o ponto de ruptura, sempre em sua base, quando
rompido pela pressão atmosférica a cada cem quilômetros,
impulsiona o balão menor para cima, como um estilingue em efeito
cascata até o cosmo. Já o último balão do tamanho duma bolinha de
gude prateada, serve de ponte para o laser de ferro disparado.
-Alô, aqui é Graham
Bell falando de 1891, este é o primeiro experimento de ligação
temporal, há alguém do outro lado da linha?
-Alô, aqui é Graham
Bell falando de 1891, este é o primeiro experimento de ligação
temporal, há alguém do outro lado da linha?
-Alô, aqui é Graham
Bell falando de 1891, este é o primeiro experimento de ligação
temporal, há alguém do outro lado da linha?
Quando de repente é
respondido: -Alô.
Todos se olham por meio
Segundo e…
-Hello,
this is Graham Bell talking about 1891. It's a great pleasure…
-Alô,
quem está falando. (Em português).
Santos Dumont arregala
o olho, arranca o cone da mão de Graham Bell e responde:
-Alô, aqui quem fala é
Santos Dumont, de 1891, é um imenso prazer conversar com você, por
gentileza, de que época você está se comunicando?
O outro lado da linha
parece dar uma gargalhada e responde: -Ok Santos Dumont, então não
invente o avião pra não ser usado na primeira e segunda guerra
mundial, o senhor me desculpe, mas eu tenho mais o que fazer. E bate
o telefone.
Inglaterra, 4 de
dezembro de 1891 (Ao mesmo tempo).
No auditório principal
da Leicester School of Art na Inglaterra...
George Wells: -...então
só para concluir, essa visão Maniqueísta do médico e o monstro,
erguendo a bandeira desse monstro infinito, só não é diferente do
médico que de tão perfeito para a sociedade eu pergunto, qual
sociedade? No meu livro eu abordo essas diferentes óticas de
sociedade cada qual em sua época entende amigo Nietzsche?
Dom Pedro II o
interrompe: -Bom, infelizmente temos que encerrar o debate pois do
contrário, não teremos tempo para as perguntas.
Plateia: -Ahhhh...
Pedro diz com amor no
coração: -Dificilmente, sinceramente, na minha humilde opinião,
dificilmente alguém conseguirá um dia superar a originalidade
destas duas obras primas. Tanto no futuro como no passado. (Diz
olhando para Wells fazendo o público entender a ironia)
Pedro: -Alguém tem
alguma pergunta?
Uma porta no palco,
atrás de Pedro se abre e sai um garoto de 14 anos, confuso e
desconcertado ao se deparar com um auditório abarrotado de gente.
-Oi, desculpe, entrei
no lugar errado.
A plateia o aplaude e
Pedro para não perder a compostura diz: -O senhor tem alguma
pergunta para fazer?
Todos riem pela
pergunta sacana ao ponto.
O garoto se chega de pé
do ouvido e sussurra: -Por favor, que dia é hoje?
Dom Pedro, fala em voz
alta: -Que dia é hoje? Hoje é dia quatro meu filho.
Em efeito retardado um
holofote ilumina o novo personagem que diz em sussurro: -Mas de que
ano?
Nesse instante Pedro
muda as feições e por alguns segundos gela esquecendo todo o resto,
como se um silêncio súbito pairasse em sua mente.
-Desculpe, não quero
atrapalhar. O jovem volta, e encosta a porta.
Pedro a reabre e
atravessa, encontra o adolescente de costas em um outro ambiente de
mata fechada sob altivas árvores.
O garoto se dá conta
que esqueceu de bater a porta, ao virar bate de frente é com um Dom
Pedro II pasmo.
Inglaterra 26 de
dezembro de 2893 (1.002 anos depois).
-Meu senhor, por que me
seguiu, já tenho problemas o suficiente.
Nisso, pelo vento a
porta fecha e some ficando só a maçaneta que cai no chão.
Linda: -Por que você
trouxe um homem de lá?
O garoto: -Desculpe
Linda, o lugar tava lotado, acho que não tinha o Peugeot.
Cris: -Como vamos
leva-lo de volta agora que a porta bateu?
Sol: -Não deve ser
ninguém muito importante. –O senhor fala minha língua? –É
importante para o seu tempo?
Linda: -Para amor!
Pedro: -Homem, eu te
digo, na verdade, não mais muito. -Onde estou? –Que lugar é esse?
E antes que puderam
responder, um bando de índios captura-os sendo amarrados rapidamente
e jogados pelas árvores. Linda e Sol conseguiram fugir do abrupto
rapto nessa selva.
De árvore em árvore
na velocidade indígena paisagens muito antigas, cobertas pela mata,
ruinas de outras eras são facilmente reconhecidas pelos reféns na
viagem... Palácio de Buckingham e uma roda gigante, tudo coberto
pelas distantes copas das árvores.
Desculpe minha
narrativa depressa, estou literalmente lutando contra o tempo, este,
em culturas passadas chamado de Cronos, hoje é nomeado Boitatá, o
último homem, o mesmo mencionado em “Assim falou Zaratustra”.
Aqui onde estou redigindo a última biografia humana, a cada letra
come-se uma fração do espaço-trempo.
Ao chegarem nas gordas
caldeiras que de tão ácidas quase não foi preciso esforço para
desfazer as amarras dos cipós que se misturavam no molho. Iludidos
por lanças a permanecerem na agua em fervura, Pedro, Cris e o garoto
(Eloi), olham um para o outro quase que no zerinho ou um discutindo
calados a hora do pânico; quando Pedro arregala agora mais o ouvido
que o olho: -Eu estou entendendo o que eles estão falando! –É
Tupi.
Cris: -Pelo amor de
deus homem, fala alguma coisa então!
-Anauê, Xá Xará
Pedro (Olá, meu nome é Pedro).
Os índios param com o
trabalho nas lenhas e prestam atenção.
Pedro: -Xá Potar
Perudá (eu quero amor).
Ao ouvir, um indiozinho
corre em disparada até a oca mais distante, adentra respeitosa e
medrosamente e diz: -Pajé, os alimentos estão falando.
Pajé: -Como ousa
perturbar meu sono pra isto? -É claro que falam, eles sempre falam.
Indiozinho: -Mas em
tupi pajé?
Neste instante dois
índios em cima da caldeira retiram Pedro e seus amigos da mesma com
bambus de alavanca pelos sovacos e já no tocar do chão são presos
pelos pescoços e obrigados a seguir até o Pajé que já havia saido
da oca e já estava sentado em seu trono.
O Pajé o olha de cima
a baixo: -Eu sei quem você é Pedro.
-Homem eu te digo, como
sabe quem sou? –Pois nem sou daqui.
-Tu és o Rei do
futuro, filho. –Os brancos fizeram a porta do tempo, trancaram e
jogaram a chave fora.
Pedro: -O senhor deve
estar me confundindo com outro Pedro, não?
Confesso que sempre
estive em cima do muro quando o assunto foi república x monarquia;
em 1889 quase não fiz clamor. Fui revivido do cemitério de São
João batista em 3006 D.C. e continuei sem lado até agora. Hoje,
quase no fim da existência do universo que segue tua natural
entropia, posso dizer com autoridade o que deu certo e o que não na
longa história humana e finalmente posiciono-me, então pode-se
dizer que esta história está sendo escrita por um
narrador-personagem republicano, e como definitivamente minha
identidade não é de importante, por que não dizer que pela
República personificada?
Pajé: –O filho do
branco é preto, Boitatá se chama, o filho do tempo o último homem
que nunca deveria ter nascido. –O líder dos Locks, ele é o Mor
Lock, o maior Lock que existirá. –Nós índios sabemos de tudo,
somos escravos do tempo e senhores do trempo. –O trempo está todo
amarrado.
Cris sussurra para
Eloi: -Você não está vendo quem ele é?
Eloi: -Não.
-Não lembra da foto na
última aula de história?
Pajé se levanta e dá
ordem de soltura para os alimentos da tribo.
Já secos, pelas
indiazinhas, Pedro, Eloi e Cris recebem a benção do Pajé.
-Tome meninos, que
façam boa aventura. Põe na mão de Eloi a maçaneta e lhe calça o
relógio no pulso.
Eloi segura a maçaneta
com a mão do relógio e a porta reaparece.
Cris, eufórico já se
levanta da pedra preparando sua partida quando com uma vara o Pajé
lhe impede dizendo em Tupi: -Este outro garoto fica, se for, tudo
sairá errado.
Eloi indigna-se pelo
gesto e pergunta a Pedro: -O que ele disse?
-Ele disse, “esta não
é a sua aventura”, Cris precisa ficar.
Eloi então tranquiliza
Cris: -Fique calmo eu vou só pegar o espelho retrovisor esquerdo, já
volto em instantes, Linda e Sol já devem estar trazendo ajuda.
Cris reluta, mas em
vão, seja sincero, você discutiria com índios do futuro?
Antes de irem o Pajé
diz a Pedro: -Majestade, lembre-se do livro “Os lusíadas” quando
o protagonista vê o futuro de Portugal através da máquina do
tempo.
Pedro olha aos olhos do
Pajé e exclama-se: -Homem, eu te digo, como não percebi antes? –O
primeiro livro a abordar o tema nunca foi o de George Wells.
O Pajé reafirma: -Sim
Pedro, este menino vem deste exato ponto da história, 8 anos antes
da queda que poria a humanidade em um milhão de anos de trevas,
devido ao alto gasto com a colonização do universo e descaso na
política interna.
Antes de viajarem para
algum lugar do tempo ao atravessarem aquela porta, Pedro de curioso
pergunta a Eloi o porquê do relógio e maçaneta, que lhe responde:
-O miolo do relógio é criado juntamente com o da maçaneta, só há
um relógio para uma porta, é uma segurança como em um jet-ski,
caindo dele nas águas do tempo a porta te espera em sincronia. E
obviamente Pedro II indaga sem resposta: -O que é um Jéte esqui?
Então Eloi gira a
maçaneta gritando “-Randômico!” e ao abrir a porta que deu numa
pista de corrida de fórmula 1, um dos carros a estilhaça em pedaços
zunindo a maçaneta, o carro, Pedro e o adolescente à pista do outro
lado da porta do tempo.
Ainda em 2893, o Pajé
se senta em seu trono convidando com a palma da mão, a Cris se
sentar na rocha em frente. Para surpresa de Cris o Pajé diz em
português: -Estou esperando este nosso encontro a minha vida toda,
você não faz ideia. O velho tira, de sua biblioteca logo ao lado,
um exemplar do livro “O Rei do futuro e o laço de Eliza”, remove
o marcalivro sem deixar escapolir a página marcada e lê para o
adolescente:
Dizem que há um livro
escrito sobre tudo ao final do universo e que somente seu escritor
pode dar o parecer final sobre as coisas do homem, pois é, estou eu
aqui ao final dos tempos e por algum motivo que desconheço, Brasil é
o centro do universo... Toda história do homem está atrelada
diretamente à brasilidade. Num passado bem remoto, restaurar a
monarquia teria sido a melhor solução para as enfermidades do país,
hoje posso afirmar isso. O problema sempre esteve nos seus seguidores
que tentaram restaura-la reforçando valores religiosos como quem
esculpe uma moral de barro. Estes esquecem do que foi o segundo
reinado, uma república coroada, a implementação do quarto poder, o
poder moderador, chegou bem perto de mudar a história da humanidade
para melhor se não fosse o detalhe, não caiu no gosto das outras
nações e é claro, o golpe de 1889. Restaurar a monarquia no Brasil
é pensar fora da caixa e ter como valor, apenas ética, nada de
moral ou bons costumes.
Ironicamente este
encontro do Pajé com o menino Cris esclareceria tudo, mas não posso
seguir a narrativa desta história sem lhe contar o mito do Macaco:
Há 500 mil anos atrás,
onde um dia seria a praça em frente aos arcos da lapa, no centro do
Rio, mas que nesta era do gelo somava-se ao continente africano,
nasce o primeiro Homem. Fruto de uma árvore genealógica repleta de
incestos, ele nada se destinguia dos outros macacos exceto pela
anomalia genética que o faria, não importa o contexto ou
possibilidade, achar a vida sempre um pouco insatisfatória. Os
primeiros sinais de inteligência apareceriam em sua nova espécie
apenas em alguns milhares de anos à frente, enquanto isso o
primeiro homem ocupava-se em assassinar todos de sua comunidade pelo
simples fato de serem diferentes, exceto Eva, com quem procriou e
teve dois filhos. Todos os animais precisam se adaptar ao meio e
estaguinam, mas nunca o Homem. A aranha que constrói a delicada
porém complexa teia, a faz ridiculamente igual por centenas de
milhões de anos.
Os dois filhos do Homem
foram os primeiros a dividir o universo, pois apenas o Homem pode
desafiar o Homem e sendo assim, Abel foi morta por Caím. Desolado e
sozinho no universo, Caím saiu desesperadamente à procura de outros
macacos, e esta é a terceira fase do cíclo do homem, para mim a
mais bela, a catarse do genocida.
Em sua quarta fase, o
Homem coloniza o universo, como um vírus, qualquer outro animal que
evolua ao ponto de “saber que sabe” é considerado humano, pois
tua alavanca evolutiva foi o insatisfatório, seres assim são
espalhafatosos, de fácil percepção, infelizmente o Homem está
sózinho no universo inteiro pois nunca percebemos outro, pra não
restar dúvida, estou no fim dele e posso dizer com ganho de causa.
Mas em 2613 um
temponauta revelou ao mundo o documentário com imagens filmadas no
passado de Adão, Eva, Caím e Abel, apresentando ao mundo “O mito
do Macaco”. Finalmente o homem aprendeu a diferenciar um problema
real de um virtual. Por exemplo, fome é um problema real, mas estar
insatisfeito em qualquer contexto e hipótese pra sempre, é um
problema virtual e deve ser combatido como quem está parando de
fumar, com racionalidade e lógica. Nasce dai o Homo sapiens sapiens
sapiens, aquele que sabe do porque que ele sabe que sabe, e pode
transcender a sede do insatisfatório no DNA, esta é a quarta fase
do cíclo do homem. Infelizmente este cinegrafista temponalta deixoiu
acidentalmente e desapercebidamente cair sobre os restos mortais de
Abel e de todos os outros macacos assassinados por Adão, uma pílula
azul; em 2613 existiam de várias idades: 13, 15, 25, 30... Porém
seu uso seja costumeiro apenas em idade adulta uma vez que estas
pilulas quando ingeridas, ou em contato com uma ossada, torna o tal
corpo, imortal, eternamente estagnado na idade que vem escrita no
medicamento, seu uso em crianças é restrito a casos especiais de
vida e morte já que cura e imortaliza o paciente. No caso, reviveu o
DNA de Abel fundido aos outros macacos chacinados por Adão. Ela era
então a primeira mulher humana e o primeiro humano revivido, o
inconsciente coletivo de uma comunidade, bestial, ignorante e
vingativa. Metade Homem, metade Macaco e metade cobra. Abel evoluiu
ao longo das eras e como uma Deusa, perpassou toda a história humana
até se tornar, em um futuro muito distante, o maior dos Locks, Mor
Lock. Para os índios da antiguidade, Boitatá a serpente de fogo.
Caro leitor, você deve
estar bastante confuso neste ponto do livro. Embora não tenha vindo
dizer às flores dos frutos, eu falei que precisava começar pelo
início mais cronologicamente plausível e sem querer ser irônico
tive de citar Cronos, ou Boitatá se preferir, mas vamos então agora
ao outro início desta aventura.
Planetoide Hebe
Camargo, 25 de dezembro de 2893 (1 dia antes).
Como pena na água,
submersa, flutuante, Eloi dormia em seu quarto perfeitamente
inundado. Ele, diferente de mim, não precisava de oxigênio nem nada
se não só mais 5 minutinhos que sua mãe não o presenteara, ao
estourar sua grande bolha flutuante nas palavras: -Acorda, já estou
saindo e você não pode ficar sozinho em casa, vai logo pra sua
aula.
A água nem chega a
tocar o piso, se dissolve no ar, diferente do garoto que, nu, se
amacia no chão.
Ainda nu, assim como
seu pai e mãe no que poderia ser chamado de mesa de café da manhã,
com toda naturalidade da moda de sua época, ainda havia café.
Pai: -Bom dia filho.
Cumprimenta enquanto olha fixamente a parede branca.
-Bom dia pai, já estou
indo mãe.
Mãe: -Espera, dormiu
bem?
Eloi: -Mais ou menos,
sonhei novamente com aquilo.
Mãe: -A quilo o que?
Eloi: -Ah em cima dum
cavalo, levantava meu elmo, via uma névoa e acordei.
Os pais discretamente
se entreolham.
Eloi olha para
cabeceira flutuante ao lado da porta da sala, vê dois relógios de
pulso, o da sua mãe e o seu, o pai já estava com o dele calçado.
Eloi veste seu pulso e imediatamente aciona o comando de voz –Heavy
metal. Pedindo ao aparelho que toque este estilo sonoro em sua mente.
O jovem gira a maçaneta e ao atravessar a porta, é tele
transportado para sua sala de aula no planeta Brazil, ao som mental
de caught somewhere in time de Iron maiden.
Professor: -Atrasado de
novo Sebastião Hartdegen.
-Professor, peço mais
uma vez que me chame pelo nome social Eloi.
-Pede é porra nenhuma,
sente-se!
Professor: -Alguém
pode me dizer quem é este sujeito?
Eloi rapidamente
sentado, rapidamente também já ajusta o relógio para conseguir ver
a projeção mental na parede branca atrás do mestre.
-Sim Linda, diga.
Linda sem dúvida faz
jus ao nome, e até o seu levantar de dedo pedindo a palavra é
charmoso.
Linda: -Dom Pedro
Segundo Professor.
-Exato, parabéns
Linda! –Mas quem foi Dom Pedro II?
Aluno aleatório 1: -Um
ditador.
Aluno aleatório 2:
-Ele não explorou o Brasil professor?
Aluno aleatório 3:
-Não seu burro, esse foi o português!
Professor: -Como? –Como
os portugueses poderiam ter explorado o Brasil?
-Brasil era um estado
de Portugal, é como se por exemplo a Inglaterra explorasse seus
planetas, ou Brasil e Portugal suas galáxias. –Entende? –Não há
exploração quando se é dono do que estaria roubando. –Eu tenho
um sítio no setor Carmen Miranda do oceano pacifico, e moro aqui na
Argentina do Brasil, ora, quando eu trago balgas para meu apartamento
daqui eu estou explorando minha outra casa?
Aluno aleatório
1,2,3...: -Não... Realmente.
Confundido com o som da
banda britânica surge um pensamento na mente de Eloi “-Nunca ouvi
tanta imbecilidade” “-Pra ser sincero nunca senti diferença
entre esquerda e direita, sei que sou muito jovem, meus pais tem
séculos de idade, meu professor um pouco mais, mas caramba, consigo
diferenciar um discurso de ódio de uma aula de história”.
Aluno aleatório 1:
“-Eloi“. Chama por telepatia o melhor amigo que faz girar o
pescoço em direção ao outro lado da sala.
“-E ai Cris”
Cris: “-você vai na
festa na cúpula da Linda?”.
“-Tá louco? –Nem
fui convidado, ela nem fala comigo”.
Cris: “-Comigo também
não, mas geral vai”.
“-Ah não sei Cris,
você sabe, meu corpo, vão ficar me zuando. -Ai como eu odeio esta
época”.
Cris: “-A festa vai
ser com roupa, precisa ir vestido”.
Eloi: “-Meus pais
nunca vão deixar eu usar roupa, muito menos fora de casa”.
“-Pega alguma coisa
da sua mãe”.
Eloi: ”-Cara, minha
mãe não usa roupa há 600 anos”.
Professor: “-Estou
por acaso atrapalhando o pensamento de vocês com a minha aula, Cris,
Eloi?“.
Cris: -Não professor,
desculpe!
Risos da turma...
Professor: -Alguém
quer me responder por que, na prática, as duas línguas faladas pela
humanidade são o português e o inglês?
Aluno aleatório2: -A
aliança luso-britânica é a mais antiga do universo.
Professor: Parabéns
Sol, mas só este dado não explica.
Linda levanta novamente
seu lindo dedinho dizendo: -Tem a ver com a Babelização, né
professor?
Professor: -Exato
princesa, olhem todos pra parede.
Desculpe, como
narrador-personagem falhei em não descrever tão corretamente o
cenário desta sala de aula. Pois bem, ela está situada num dos
milhões de andares desta agulha urbana, você deve estar se
perguntando o que é uma bendita agulha urbana, trata-se de um prédio
bem fino, composto por apenas 4 apartamentos por andar e milhões de
andares pra cima e pra baixo. A partir de um certo andar, as janelas
são proibidas de serem abertas, são vedadas e este era o caso da
sala de aula de Eloi que só podia ver por elas, um vasto campo de
mata nativa e ao fundo, quase que imperceptíveis como um fio de
cabelo contra luz, outras duas ou três agulhas urbanas solitárias
equidistantes. Como se o homem nunca tivesse pisado neste planeta.
Não existem veículos civis nesta época, só existem portas,
janelas e a vasta natureza humana.
Professor: -Nesta
projeção aqui na parede podemos ver as três castas da humanidade,
no topo temos os Locks, não sabemos quem eles são, tudo o que
sabemos é que eles vivem num futuro muito, muito distante. Não
sabemos se quer se são humanos, mas o principal...
E a Turma em uníssono
responde: -É que a partir da data “D” nenhum temponauta consegue
passar...
Professor: -Eu sei que
vocês já estão cansados de saber disso, mas por que nenhum
temponauta consegue, por mais que tente cruzar esta determinada data?
Eloi: -Os Locks
interferem e moldam os acontecimentos históricos de modo a preservar
sua existência futura.
Professor: -Exatamente!
–E estes temponautas são chamados de Spacetime Defenders, não é
princesa?
O professor termina a
frese olhando e apontando com as duas palmas das mãos para Linda
Zaratustra.
-Linda é filha de dois
ilustres STDs, reis do tempo, e isso faz da coleguinha de vocês uma
princesa de verdade. -Isso nos leva a próxima casta, a dos monarcas
temporais, uma sociedade com mais de mil anos de história e que se
não fosse ela, não saberíamos de nada nem do nosso futuro nem
muita coisa do nosso passado enquanto humanidade. –Hoje conseguimos
viajar de um ponto a outro do universo instantaneamente, por exemplo
uma viagem que leva 10 milhões de anos. –Toda nossa noção de
tempo é baseada na segurança de que esse futuro existe, se eu
quiser fazer essa viagem hoje e passar dois dias relaxando do outro
lado da galáxia, eu posso ir na boa, mas quando voltar terão
passado 20 milhões de anos e dois dias, e todos vocês terão vinte
milhões e 14 anos de idade, entende como tudo isso é louco? –Para
mim terá passado apenas 2 dias. -Quando a humanidade descobriu a
cura da morte há quase um milênio atrás, ela não fazia ideia de
que curar o câncer, a coisa na qual estava mais empenhada a fazer na
época , não se limitaria só a curar a maldita doença, mas sim
controlar o tumor e impedir a morte de células e sua duplicação
falha em todo nosso organismo de forma planejada.
Neste momento o aluno
aleatório número três põe no colo de Eloi um objeto retangular
que tinha passado de aluno a aluno.
Cris: “-Toma ai, me
agradece depois“ (Telepatia).
Eloi para Cris: “-Que
isso cara? –Tá maluco?”.
“-Não disse que
estava sem roupa pra festa? –É uma relíquia lá de casa, um
smartfone, vai hologramado pra festa cara, ninguém vai perceber”.
Eloi: “-E como eu vou
chegar em casa com isso?”.
“-Mas tu é burro
mesmo não é? –Põe na cintura, vai hologramado de você mesmo só
que nú”.
Professor: -Em terceiro
plano nas castas humanas temos nós, reles imortais, pessoas comuns.
-Mas por que eu dei essa volta toda? –Este ano estamos completando
mil anos da revolta da armada que aconteceu lá no Rio de Janeiro.
–Essa foi a primeira tentativa de restaurar a monarquia no Brasil.
O professor passa um
compilado de vídeos na parede, dentre eles comerciais da campanha
monárquica do plebiscito realizado em 1993.
–Mil longos anos,
muita coisa aconteceu, o Brasil realmente se tornou o país do futuro
detentor de metade das galáxias do universo na sua política milenar
de braços abertos, mas ainda hoje tem quem defenda a volta da coroa,
900 anos depois deste plebiscito. -Estou distribuindo a vocês estas
relíquias. O professor distribui algumas cópias raras de Triste fim
de Policarpo Quaresma.
Professor: -Alguém já
leu?
Eloi: -Professor,
desculpe, só uma pergunta, que é essa desse vídeo?
A turma toda faz um “ê”
do tipo quem satiriza o interesse repentino de um adolescente por uma
mulher, já deve ter acontecido igual em sua época de colégio. Eloi
num misto de constrangido com curioso é respondido pelo mestre:
-Essa ai foi Cissa Guimarães, garota propaganda do plebiscito
monárquico, mas retomando a linha de raciocínio, Policarpo Quaresma
é um nacionalista ferrenho e acaba por lutar contra a revolta da
armada. –Por fim alguns dos seus colegas desertam, fugindo e sendo
presos, Policarpo então, por defende-los, é condenado e vira mártir
do seu próprio ideal o qual nunca entendeu.
-Meninos, é muito
importante escolher um lado. –Mais importante ainda é entender a
própria escolha. –Policarpo mesmo tão estudioso, nunca entendeu
qual lado político realmente defendia seus ideais; se a república
da espada, oportunidade única do novo Brasil, ou a revolta da
armada, defensora do período mais estável que o país já viu.
-O que vocês acham
disto?
Sol: -Eu acho que
infestar metade do universo de malditos clones vai ser um absurdo,
não é à toa que os Locks se trancaram naquele futuro! –Mor Lock deveria destruir o Brasil no passado!
Cris: -Que absurdo
cara!
Professor:
-Nananinanão, deixe o aluno se expressar como queira, é direito
dele.
Linda: -Amorzinho, eu
sei que os clones são mais puros geneticamente do que nós normais,
mas será uma solução viável pra popularização do universo.
Sol: -Só eu vejo que
eles são umas aberrações? –Já nascem imortais, e sem precisar
de oxigênio!
Linda: -Por isso amor,
é mais barato que modificar geneticamente um nascido de mulher.
Cris: -Eu acho que
antes de fazer clones, deveríamos reviver os mortos para colonizar o
universo.
Sol diz: -E os custos
pra isso? -Ahhh vá!
Professor: -Calma
todos, vamos recapitular a aula do mês passado, olhem a parede,
sabem quem é este?
Linda: -Santos Dumont
professor.
Cris: -Ele inventou o
café ne?
-Isso mesmo princesa, e
não Cris, o café é árabe, ele descobriu a fusão do grão de
café. –Essa história é linda.
O professor senta no
que poderia ser uma escrivaninha, cruza a perna, olha pro alto e no
segundo respiro começa, apontando a projeção: –Este carinha ai
foi o responsável por a Alemanha ter ganho a grande guerra mundial,
os planadores dos irmãos Wright nem se comparavam aos dirigíveis de
aço desse inventor brasileiro ai, certo que não foi uma guerra
muito longa, durou 3 meses, mas nenhuma antes na história teria
movimentado todo o planeta Brazil, na época chamado de planeta
Terra. –Quando os Estados Unidos quebraram sua bolsa, foi a
Alemanha quem os ajudou a se reerguer.
Eloi: -O que são
estados unidos?
Professor: -É a
Inglaterra, a América do norte ficou um breve tempo independente,
foi até um país, mas não durou muito. –Continuando, daí esse
sujeito da foto, um ano depois da famosa primeira ligação
telefônica ao futuro, da torre Eiffel, perde o pai e se vê obrigado
a retornar para as fazendas de café da família em Minas Gerais para
tocar o negócio. -Isso o fez profunda depressão longe de Paris, a
cidade que amou, até que olhando para um grão de café em sua palma
da mão perdido nos pensamentos, ele grita (-Eureka!), como nosso
gênio não poderia ter pensado nisso antes? -E correu para seu
laboratório testar sua hipótese.
Linda: -Que hipótese?
Professor: -A de que um
único grão de café feito nas condições do solo brasileiro,
quando colidido, sua fusão geraria mais energia que necessária para
iluminar uma cidade inteira. –O café nunca poderia ser utilizado
para fins bélicos pois não funciona como uma explosão comum daí
nasceu a explosão curta e a humanidade parou de precisar de
hidrelétricas, para assim entrar no período Steam Punk que vai até
a invenção da internet quando inaugura o Cyber Punk.
Eloi: -Sou
completamente apaixonado por esse tempo professor. –Veículos nas
ruas, cidades, roupas e próteses movidas a grãos e engrenagens. –A
era de ouro do vapor com o puro aroma do café.
O bipe mental toca
sinalizando que a aula acabou por hoje, todos fazem uma fila na porta
para se tele transportarem um a um às suas respectivas residências.
Na fila Eloi causa de
ficar logo atrás de linda, nos amassos com seu namorado Sol. Cris
vai se metendo de meio a meio na fila até Eloi e pergunta: -E ai,
bora?
Linda para de beija-lo,
olha pra trás e confirma a pergunta: -Você vai na minha festa né
Eloi?
Eloi: -CCClaro.
Cris: -Uhul isso ai!
–Vou te ensinar a usar esse celular. Fala isso ajustando o aparelho
na cintura de Sebastião. –Pronto, agora você está hologramado
de nu, isso esconde o aparelho pro seus pais.
O casal viaja pela
porta, Cris e depois Eloi, pra casa, não antes de olhar ao fundo os
exemplares do livro nas mesas sendo recolhidos um a um pelo
professor.
Desta literatura
comparada que narro, este seria o segundo livro de apoio, juntamente
com “Os Lusíadas”.
A viagem de Sebastião,
apesar de instantânea para o adolescente, leva 8 horas/luz até seu
planetoide. Neste planetoide o esquema é o mesmo, agulhas urbanas
como manda o regimento e quilômetros e quilômetros de terra árida
em volta sem atmosfera. Eloi mora 15 milhões de andares sob o solo.
Vestido holograma de nú chega a tempo da última refeição, se
senta no que poderia ser um banco.
-Como foi seu dia
filhote?
-O mesmo de sempre mãe.
–Mãe, andei pensando, eu sei que não sou um clone, não tenho
poderes cinéticos, se eu não tenho umbigo, só posso mesmo ter sido
revivido, poxa mãe, por que você e o pai não querem me contar quem
eu fui?
Mãe: -Arre, lá vem
você de novo com esse assunto! –Nesta casa não somos tribalistas
e nunca seremos, o passado não importa!
-Mas eu amo o passado,
mãe! -Não aguento mais viver assim, é tudo um nada, eu não
respiro, eu literalmente não respiro! Bate o pé no chão e a porta
do seu quarto.
Quase que por pouco
Eloi esquece que está hologramado, mas seu smartphone treme teu
holograma estranhamente junto às paredes do quarto e pula da cintura
se transformando num mico leão dourado de pelúcia amarelo de fofo.
Os dois se olham
apavorados.
Mico: -Não, não, não!
–Isso é um pesadelo smartphônico.
Eloi: -Quem é você?
-Eloi, eu sou o Mobi,
só um minuto preciso acessar a internet!
Eloi: -Desculpe,
menores de idade não podem usar internet, faz mal a formação do
cérebro.
-Não chore Eloi, seus
pais não te deixarem passar para a academia é o menor dos seus
problemas.
Eloi: -Como sabe disso
tudo? -Como sabe meu nome?
Mobi: –Consegui
acessei a rede. –Não, não, não, está tudo errado, a história
está toda todinha errada! -Santos Dumont não inventou o avião
denovo!
-Como assim?
Mobi: -Eloi, estamos em
loop infinito, está trudo se repetindo em laço!
Eloi: -É fogo, eu sei
como é isso, todos os dias parecem iguais.
Mobi: -Fogo! -É isso,
eu tenho medo de fogo! -Como não pensei nisso antes? -Eloi, preste
atenção, temos pouco tempo; eu não consigo impedir o pitie; não
entregue o isqueiro para sí mesmo, está causando um moto continuo,
este isqueiro não vem de lugar algum e não vai a lugar nenhum, você
saberá o que fazer com ele!
Sua mãe bate na porta
já a abrindo fazendo Mobi entrar em pirepaque, se desologramar e
travar.
A mãe senta-se ao lado
do filho, observa as paredes do quarto: -Olha querido, eu sei que
tenho séculos a mais que você, mas acredite, eu e seu papi
planejamos muito a sua vinda.
-Você quer dizer
revinda né? –O que é? –Vocês têm medo que eu pesquise sobre
mim na internet? –Eu não posso nem usar a porcaria da internet!
-Não é isso filho, é
o princípio, viver preso ao passado é viver preso em loop infinito.
–O eterno retorno, o dragão devorando o próprio rabo.
Eloi: -Povo que não
conhece a sua história está fadado a repeti-la.
Mãe: -Você realmente
acha que é assim que se conhece a ti mesmo? –Acha mesmo que é tão
simples? –Olha que eu tenho 600 humildes anos de vida para
questionar. –Se eu aprendi alguma coisa com estes 6 séculos foi
que nada é pra sempre... nada é pra sempre filhote, todos morremos
por dentro algum dia.
Sua mãe retorna à
sala, já é hora de dormir, Eloi tenta reativar o tal do Mobi mas
nada, o bicho amarelou. Decide encher a bolha e dormir.
Planeta Brazil
(Antiga Terra), 26 de dezembro de 2893 (1 dia depois).
Na cúpula do alto de
uma das agulhas urbanas acorda em sua imensa bolha cor de rosa, Linda
Zaratustra ao som dos violinistas da orquestra nacional.
A cúpula utiliza os
quatro apartamentos do andar nos últimos 10 andares de altura e, em
sua única parede, dentre tantas relíquias, um pôster do filme
Barbarella, um revólver e as duas maçanetas e seus relógios de
Donner dos seus pais pendurados no chaveiro.
Servos: -Linda , sua
roupa para a festa de hoje já está esterilizada.
Linda responde saindo
da bolha e caminhando na mais bela beleza nua: -Muito obrigada, meus
pais responderam o recado?
Servos: -Sim,
infelizmente não poderão comparecer.
E antes que a deixassem
sozinha na cobertura, uma das empregadas lhe diz: -Ah Linda, feliz
aniversário. Que Linda agradece, com a cabeça.
Um tucano brinca nos
ares da cúpula enquanto Linda segura sua xícara de café matinal,
senta no que poderia ser uma cadeira e em sua frente no que poderia
ser chamado de mesa surge uma mensagem hologramada automática, dita
por um avatar bem aparado: -Feliz aniversário Linda Zaratustra,
parabéns pelos seus 15 anos, agora a senhorita é considerada maior
de idade e cidadã universal. A senhorita tem direito de acessar a
internet, viajar sozinha, praticar arte e voluntariado, mas também
possui deveres e proibições. É terminantemente proibido, punido
com pena de morte, sair de qualquer agulha urbana, viajar no tempo
sem autorização, utilizar roupas ou qualquer acessório se não
relógio de pulso ou balgas e assassinar outro ser humano. Caso tenha
a infeliz ideia de tirar a vida de outro semelhante, duas coisas irão
acontecer. Diz o holograma com um certo olhar sarcástico: -Primeiro,
você não vai conseguir matar o infeliz, um Spacetime defender
aparecerá para impedi-lo, e segundo, você ficará preso em loop
neste fatídico momento por toda a eternidade pois seria injusto
punir a Linda Zaratustra do futuro e não a do instante da infração.
Como seu primeiro dever, a senhorita precisa optar pelo partido
político que irá lhe representar neste século.
-Do lado direito da
mesa temos o partido Nazista e do lado esquerdo o partido
Antropofágico, escolha.
Devo dizer, Linda
escolhe um deles naquele momento, a verdade é que nunca soube em
qual ela clicou, do ponto de vista que tomei conhecimento de toda
essa aventura, e você caro leitor entenderá mais para frente, este
é o que chamamos na literatura de ponto cego uma vez que tal
passagem nunca foi determinante ao enredo. Como dito antes, repito,
não vim a este texto dizer às flores, mas sim dos frutos.
Após um banho
demorado, daqueles que podem se confundir às lágrimas, Zaratustra
calça o relógio que estava jogado no painel do Peugeot tipo XV no
meio do loft e atravessa a porta pra aula de estudos sociais. Linda
senta no primeiro acento vago.
Professor 2: -Seja
bem-vinda princesa, estávamos aqui falando um pouco sobre física
antes de entrar no assunto de hoje. -Bom, retomando, é um erro
acreditar que estamos em três dimensões quando sempre vivemos nas
quatro, é também um erro acreditar que dimensões são paralelas,
bem, não sou muito bom em física, sou de humanas, mas isso é tão
básico quanto a teoria da relatividade de Einstein. -Dimensões são
conjuntos, um dentro do outro, a quarta dimensão que é o tempo é a
de mais alto nível da nossa realidade, portanto, de menor
manipulação, ou seja, não temos controle, só podemos deixar o
tempo caminhar. -A quinta dimensão é um pouco mais complexa e está
um nível acima, se chama trempo ou em inglês trime.
O professor descalça
seu próprio relógio e o segura dependurado.
-Esse relógio em
apenas três dimensões precisa estar eternamente parado, o relógio
estático tem apenas três dimensões, seu movimentar precisa do
tempo.
O professor então bate
na pulseira do relógio que começa a se movimentar como um pendulo.
–Imagine que um
sujeito volte no tempo e mate o próprio avô antes mesmo do seu pai
nascer, um paradoxo correto?
Turma –Sim, claro.
-Pra tu cara pálida,
que está imerso a quatro dimensões. –Na linha do trempo, seu avô
nasceu, cresceu, teve seu pai, seu pai teve você, você voltou no
tempo, matou seu avô que assim como a água quente vira vapor, o
universo resolve uma ruptura com a maior naturalidade possível, é
um terceiro erro acreditar que o universo esquece que algo ocorreu,
não, o universo sabe que você voltou no tempo e matou seu avô,
para ele tudo isso é passado na linha do trempo independente da
ordem cronológica da linha temporal, as variáveis que devem ceder é
você, seu pai e seu avô. -Seu avô simplesmente morre por uma bala
disparada por ninguém, a existência e vida do sujeito está no
passado da linha do trempo, a partir deste momento o trempo segue sem
você. –Será que isso é mais difícil de entender do que chegar
antes mesmo de partir, quando acima da velocidade da luz?
Eloi, sentado logo ao
lado de Linda pergunta: –Então é assim que se volta no tempo?
–Correndo acima da velocidade da luz?
-Sim, sim, mas o que
importa é que o trempo é uma realidade onde se é possível
caminhar nas duas vertentes do tempo, a linha tremporal da quinta
dimensão é toda acorrentada em loops infinitesimais, e isso é
normal, como a pulseira deste relógio, um pêndulo à procura do
equilíbrio, mas sempre diminuindo o território no universo das
outras quatro dimensões inferiores, até sucumbir à existência. -O
tempo é em corrente contínua e o trempo em corrente alternada.
Sol, do outro lado da
sala de aula: -O que é corrente alternada?
E o professor segura a
pulseira do relógio forçando-o a parar de fazer o movimento de
pêndulo.
-A busca por este
equilíbrio precisa ser natural para que um universo tenha tempo de
vida, isso que eu fiz, forçando o relógio a parar, é o que uma
porta do tempo faz quando aberta dentro dela mesma, um universo
espelhado nele mesmo, uma balança com forte mesmo peso dos dois
lados, em outras palavras um universo em perfeito equilíbrio é um
universo zerado, logo sem dimensões. –Por isso crianças, em nossa
sociedade só os temponautas tem o poder de utilizar as portas do
tempo, isso é muito sério, assim como só o exército tem acesso às
naves e armas. -Só por curiosidade, olhem para a parede, que objeto
é esse?
Alunos: -É balgas
professor.
-Isso ai. O professor
fala com um riso irônico na voz: -Se um dia vocês se depararem com
uma porta temporal aberta dentro dela mesma, apenas balgas consegue
salvar e reequilibrar o universo.
Cris: -O que acontece
mestre?
Professor 2: - As duas
portas formam uma bolha que quando estoura recriam o universo tal
como estava.
Linda diz a Eloi por
telepatia: “-Você não acha essa aula um saco?”
Eloi: “-Eeeu acho
sim.”
Linda respira fundo,
inicia uma trança no cabelo pelo ombro direito e Eloi te pergunta:
“-Está animada para sua festa?”
Linda olha para os
olhos castanhos de Sebastião e antes que pudesse abrir a boca o
professor a interrompe: -Linda Zaratustra, eu sei que hoje é um dia
especial para vossa majestade, mas estudos sociais será muito mais
especial para a senhorita num futuro próximo! (disse com aquele
jeito de professor furioso com seu pouco poder de prender a atenção).
-Turma, Linda hoje faz
15 anos de idade, ela acordou e teve que fazer um voto de confiança
dentre os dois partidos que representam a nossa sociedade neste
século; o partido Antropofágico ou o partido Nazista. –Vossa
majestade, que está tão atenta a minha aula poderia explicar aos
seus outros colegas qual é a proposta destas duas ideologias
sociais?
Linda começa a falar e
o professor a interrompe: -Não, não, de pé aqui na frente, por
gentileza princesa.
Linda se levanta
levantando também seu doce perfume ao olfato de Eloi.
Pigarreia a garganta de
tímida e: -Bom... O Nacional socialismo é um partido racista que
defende a guerra dos clones e seu extermínio imediato, baseando-se
na fobia da capacidade genética superior dos clones, já o Partido
Antropofágico defende o povoamento do universo com uso dos clones.
Professor 2:
-Exatamente, e quem é e foi Adolf Hitler?
Linda: -Ele foi um
grande pintor há uns mil anos atrás que assim como Walt Disney,
quis se congelar na época e foi, por isso, um dos primeiros
revividos antes da tecnologia de revida tumular. -Hoje preside o
partido e pode ser o primeiro presidente revivido do universo.
Professor 2: -Só uma
curiosidade turma, vocês sabem qual foi a primeira classe a ser
revivida em nossa história pela tecnologia de revida tumular? –Não?
–Ninguém sabe? –Múmias, as múmias de até 6 mil anos atrás
foram as primeiras. -Vossa majestade sendo filha de STDs já deve
saber o resultado do plebiscito, não é? –Posso ser um mero
imortal, mas sou do tempo em que o único vício adulto permitido não
era balgas!
E com este climão na
sala de aula, Cris quebra o silêncio dizendo: - Aee o professor já
foi maior contemporâneo. E a turma cai na gargalhada afinada ao bipe
mental do término da aula.
Na fila para a porta de
volta à casa, Cris se aproxima eufórico: -E ai, vamos hoje?
Eloi: -Não cara, eu já
disse que não posso ir a essa festa!
Cris: -Ah que isso, vai
ser legal, dizem que da cúpula dá pra ver a curvatura do planeta,
vamos!
Eloi fala “casa” ao
relógio olhando seriamente para o amigo e sem palavras atravessa a
porta.
Já noite, ao chegar em
sua sala depara-se com os gritos de sua mãe e Mobi hologramado
pedindo desculpas pelo descuido.
Mobi: -Desculpe Eloi,
eu destravei e quando vi ela já estava aos berrinhos.
-Eu não avisei que não
quero ver você com essas drogas? –Quantas vezes te avisei que não
somos tribalistas?
-Desculpa mãe, foi o
Cris.
-Ah é, então quer
dizer que se o Cris se jogar da janela você também vai junto?
-Não se preocupe mãe,
ele também mora sepultado bem no fundo da terra, na Lua!
-O senhorzinho não me
responda heim, esse seu amigo é um lunático mesmo!
-Mãe.
-Você está de
castigo! –Não vai mais à escola até ser adulto! –Não vai mais
sair do seu quarto, é do quarto pra cozinha e da cozinha pro quarto!
-Isso é um absurdo,
então eu vou ficar sem estudar é isso?
- Você tem todo o
tempo do mundo pra isso! –Agora vá para o seu quarto.
-Mas mãe, eu quero ser
um temponauta, as provas são com 14 anos!
-Eu não quero nunca
mais ouvir esta palavra, já pro seu quarto!
Fecha a porta do quarto
de Eloi, abre a porta gritando ao relógio “lixo” e o joga o Mobi
fora.
O mico leão dourado
reaparece em um lixão de objetos em escala lunar. Muito escuro, Mobi
ascende seu sistema de infra-vermelho que por força maior este é
interpretado como sinal de ligar para um dos bilhões de aparelhos
obsoletos de áudio, vídeo e muiti-tarefas ao seu redor que toca
propagado pela atmosfera de gases fruto do desgaste e acidez das
velhas baterias, “O tempo não para” na voz de Cazuza.
“Disparo contra o
sol”
“Sou forte, sou por
acaso”
“Minha metralhadora
cheia de mágoas...”
“Eu sou um cara.”
“Cansado de correr”
“Na direção
contrária”
“Sem pódio de
chegada ou beijo de namorada...”
“Eu sou mais um
cara.”
Os micro-systems em
volta parecem ter cara de pena daquele smartphone que apreensivo rói
suas unhas de macaco.
“Mas se você achar”
“Que eu tô
derrotado”
“Saiba que ainda
estão rolando os dados”
“Porque o tempo, o
tempo não para...”
O escuro de tão fino e
frio até relaxa Mobi, se não o estrondoso aparecer de Boitatá,
ligado a este tempo por um de seus tentáculos embora
perturbadoramente fúnebre, sua presença já era infelizmente
aguardada pelo mico amarelo.
“Dias sim, dias não”
“Eu vou sobrevivendo
sem um arranhão”
“Da caridade de quem
me detesta”
-Senhor, eu imploro.
Boitatá de voz cruel e
irritantemente calma diz: - Mobi comprender a la vez, se va a hacer
esto tantas veces como sea necesario (Mobi entenda de uma vez, irá
fazer isso quantas vezes for necessário).
-Mas senhora, já foram
4392 vezes, acredite quando digo que eu não posso lhe servir!
-Eu não sou útil,
nada muda neste quadro há 1617 tentativas.
“A tua piscina tá
cheia de ratos”
“Tuas idéias não
correspondem aos fatos”
“O tempo não
para...”
-Oren para que esto no
es cierto, porque entonces se le atascado en este loop para la
eternidade (Reze para que isso não seja verdade, pois então você
ficará preso a este loop por toda a eternidade).
“Eu vejo o futuro
repetir o passado”
“Eu vejo um museu de
grandes novidades”
“O tempo não para.”
“Não para, não, não
para...”
Duas horas depois no
quarto de Sebastião, sua mãe bate à porta. Eloi não a atende,
fica aquele silêncio de dois lados, ambos soterrados a quilômetros
de distância e sob toneladas de gente e terra coordenada.
De repente pisca de
bolha no nada e cai ao lado de Eloi, Mobi. –Opa, como você chegou
aqui amiguinho? –Não importa, você precisa me ajudar a fazer uma
chamada pela internet.
Mobi se conecta e deixa
de ser holograma por alguns instantes para que Eloi possa usa-lo como
celular, que chama Cris em pensamento pelo seu relógio.
“-Alo”
-Alo Cris, eu vou.
“-Jura? –Uau te
encontro lá então.”
-Não Cris, eu preciso
de uma ajuda sua, minha mãe confiscou meu relógio.
20 minutos depois a
porta da sala é aberta pelo lado de fora por Cris que espera de
quatro para não chamar a atenção do pai de Eloi que sentado olha
estaticamente para a parede. Do outro lado do cômodo está o quarto
de Sebastião já de porta aberta hologramado do que poderia
toscamente ser chamado de invisível, tenta cruzar a sala
engatinhando. Quanto mais se aproximava das batatas das pernas do seu
pai, a controlada respiração se ofegava mais e mais até seu clímax
bem nas costas do velho com aparência de 25. Subitamente veio uma
quase que incontrolável vontade de espirrar de Cris que acredite,
fora imediatamente percebida por Eloi na fixa troca de olhar de
intenso clamor que “não, não, por favor não”, pensado!
No que poderia ser
chamado de criado mudo, um copo sobre uma trêmula folha de plástico,
um pedaço de rasgo do estofado que dançava no ar que vinha do
respiradouro. Toda tensão deste instante poderia ser contada nesta
dança, o rosto já avermelhado de Cris, as lágrimas de canto de
olho de Eloi e uma súbita tossida de seu pai que sai imediatamente
ao espirro do amigo. O tempo paira este instante, tiquitaqueia até a
certeza do despercebido que respira aliviado.
Chegando à porta, os
amigos cumprimentam as mãos de vitória e a encostam pelo lado de
fora com bastante cuidado, mas não antes de quase fechar ouvirem:
-Vê se não vai fazer
merda heim. Do pai. E pela corrente de ar bate, fazendo já na
cobertura de Linda Zaratustra, todos porem seus olhares neles e
consequentemente caírem na gargalhada pelo de quatro.
Rapidamente os dois se
levantam, Cris está vestido de terninho, longa negra barba,
calvície, óculos fundo de garrafa e cutuca de cotovelo o amigo que
muda o holograma de tosco “invisível” para vestido, infelizmente
literalmente vestido de vestido vermelho com uma faixa presidencial
verde-amarela.
Mobi: -Desculpe mestre,
não funciono bem sob pressão, quer que eu mude para qual fantasia?
Eloi com aquela cara diz: -Não, não, se eu mudar agora todos vão
perceber que não é uma roupa de verdade. Alguns convidados de copo
na mão: -Caraca é a cara da Dilma olha! –Hahaha. E Sebastião
começa a cumprimentar os presentes assumindo a zoação.
A festa era
verdadeiramente incrível, todas as quase 100 crianças do planeta
Brasil entre 14 e 15 anos ali certamente estavam nesta noite, e
algumas do entorno, como Eloi; ninguém poderia perder a oportunidade
de conhecer a cúpula da princesa Linda.
Eu como narrador posso
ser franco, nem as festas que fui do império caberiam nesta.
A cobertura era na
verdade um Split de duas ligadas a um grande portal teletransporte.
No céu, numa metade poderia ver-se o sol do Reino unido e na outra,
todo azul do planeta Brasil (Terra), pois uma cúpula situava-se na
Inglaterra e a outra na Lua. Assim o dobro espaço de uma cúpula que
já é naturalmente um pouco mais larga que os apartamentos
inferiores, dava tamanho à esta festa de quinze anos que por
incrível que pareça, parecia já ter se iniciado há um bom tempo.
Mais incrível ainda foi, no subsequente apertar de mãos dos meninos
e beijinhos buchechosos das meninas na etiqueta de Cris e Eloi, o
apertar da mão do próprio Sebastião que sorrindo de amarelo,
vestindo um macacão jeans todo remendado diz: -Não se assusta,
calma. Num impossível calma do tipo espelho, Eloi acabara de
cumprimentar a si mesmo.
-Mas como isso é
possível?
-Cara, a gente viajou
no tempo! Falando um pouco mais baixo.
-Sério? Que demais, e
como é?
-Você vai descobrir,
Linda quis fazer uma reunião mais intimazinha antes do grosso dos
convidados chegarem, só com nos quatro da classe, vai lá atrás da
parede lá, ela te explica melhor.. ah.. e toma. E Eloi entrega a si
mesmo do passado um isqueiro zipo junto duma piscada de olho.
Cris está entretido
nos apertos de mãos explicando aos convidados sobre sua barba e
calvície:
-Meu nome é Enéas!
Reconheceu agora quem estou fantasiado?
Convidados: Hahahaha!
Eloi: -Cris, vem, temos
que encontrar a Linda atrás da parede.
Não existe festa de
quinze anos sem música, na outra ponta da cúpula da Lua havia uma
suave banda estilo samba de partido alto. Eloi e Cris chegam depois
da parede e são abraçados por Linda Zaratustra: -Ai desculpa, não
te machucou não é?
Eloi: -Não, mas o que
é isso?
Linda: -Ah é um
microfone, estou fantasiada de Silvio Santos.
Cris: E eu? -Sabe quem
sou? –Te dou uma dica, 56!
Linda: -Você é o
doutor Enéas, e você deve ser Dilma Rousseff, certo?
Tião, para não
contrariar concorda sob todo tímido com a cabeça.
Eloi: -Parabéns, feliz
aniversário linda, oh quero dizer Linda, Feliz parabéns Linda.
Linda dá um risinho e
pergunta: -E ai meninos, o que acharam do tema da festa?
Eloi responde: -Os
Presidenciáveis. –Mas não estão todos aqui estão? –Digo,
fantasias a caráter.
Linda: -Não mesmo, se
fossem só todos os eleitos e somente até o seu mandato “senhorita
Dilma” (fala rindo) não caberiam nesta cúpula! –Essa república
é uma piada de mal gosto.
Eloi: -Concordo, foram
muitos tropeços, impedimentos e golpes ao longo da república da
lavada.
Linda dá outro risinho
e conta: -Olha, meu pai deixou 4 passagens abertas para meus colegas
de turma poderem voltar ao tempo 5 horas atrás, eu perguntaria se
vocês aceitam, mas como já sei que sim, por favor. E abre a porta
do tempo apontando com a mão esquerda espalmada sua gentileza.
Eloi não acredita que
finalmente viajará no tempo e não deixa dúvidas deste sentimento
em suas feições ao atravessar a porta para o outro lado da parede
com pé direito.
Chega a vez de Cris que
tropeça, ao tentar se segurar rasga o pôster do filme Barbarella e
deixa cair a pistola do prego que ao cair no chão dispara um tiro
acertando o pobre do tucano que voava.
A festa para e o olha,
Linda um tanto chocada por três segundos, respira e acalma Cris:
-Calma Cris, olha só, lembre-se bem agora que vai voltar ao passado,
não faça isso na próxima vez ok?
-Ok, desculpa Linda.
Linda fala rindo:
-Nada, deixa isso pra lá, só não mate meu tucano de novo tá?
Empurra de brincadeira Cris pela porta dançando ao ritmo da banda
que voltara a tocar após o susto e a fecha quando imediatamente
volta a ser só uma maçaneta dependurada ao lado da de sua mãe.
Falta escrever
[a festa]
-Eu sou perdidamente
apaixonado por Linda Zaratustra!
Linda ouve sem querer e
ao virar a pedido de Cris, Eloi se embaraça na vergonha. Linda pede
licença a Cris e tenta acalmar o amigo Sebastião nas palavras:
-Desculpe ouvir, me sinto lisonjeada, mas você sabe que namoro Sol.
Antes que Eloi confirmasse, ela complementa: -Se eu te contar um
segredo meu você vai se sentir melhor? Diz vendo a clara cara de
eminente avestruz de Alex.
-Vou te contar como
funciona exatamente uma viagem no tempo.
-Sério Linda?
-Sim, sim, na verdade
este é até um segredo muito bobo sabe? –O processo é mais
simples do que parece. –Logo esse segredo, chega a ser até uma
piada de tão óbvio, mas você precisa me prometer segredo eterno.
Eloi sedento de
curiosidade diz logo que sim, claro.
-Lembra da caixa de
Arquimedes que o professor explicou na aula de física?
-Sim.
-Bem, a história não
foi bem essa. –Quando Arquimedes estava na banheira, o que lhe
afligia não era só a morte, mas sim a eminente perda para a
humanidade do seu descobrimento recente.
Eloi: -Qual
descobrimento?
Linda: -Arquimedes foi
o pai dos STDs, ele havia descoberto apenas baseado em conceitos
sobrepostos que se um indivíduo viajasse a cima da velocidade da luz
ele chegaria no ponto de origem antes mesmo de ter partido. Tal ideia
morreria naquela manhã se ele não descobrisse a resposta para algo
tão idiotamente inútil como quanto realmente de ouro puro teria na
coroa do rei.
Linda: -Sabe qual é o
pior disso tudo?
-Não.
-Eu venho pensado nisso
a semana toda, sou uma monarca e as vezes me pergunto se nos reis do
tempo não estamos cometendo o mesmo erro com a coroa.
-Enfim, Arquimedes
sabia que seria impossível ultrapassar a velocidade da luz, foi
quando ele entrou na famosa banheira e começou a pensar não em
apenas quatro, mas pela primeira vez na história da humanidade, em
cinco dimensões!
-Alex, olha que simples
de óbvio, estava na nossa cara o tempo todo. –A quinta dimensão,
o trempo, nada mais é do que a variação do tamanho da unidade,
quando ele entrou na banheira e viu que a água transbordava,
imediatamente imaginou no que aconteceria com o seu corpo se essa
água não pudesse transbordar. -Na hora idealizou uma caixa
perfeitamente vedada, talvez soterrada como um caixão, dentro dela
um gato e um tubo de bambu ligando a caixa até o mar. –Ora,
segundo a teoria dos vasos comunicantes a pressão da água do mar
comprimiria tridimensionalmente o gato fazendo dele um gato
miniaturizado. –E assim Arquimedes consegui criar o conceito
teórico de como alterar o tamanho de um objeto, não só a sua
posição no espaço e tempo, mas também seu tamanho e chamou essa
variável de trempo.
Linda: -Arquimedes
neste instante descobre a velocidade negativa que acontece quando um
objeto perde espaço no universo, ou seja, diminui de tamanho. –Agora
você imagina um objeto diminuindo de tamanho na velocidade da luz.
Eloi: -Sim, isso eu
sei, é assim que se teletransporta uma pessoa, mas precisa ser
instantâneo pra não matar a pessoa, a porta miniaturiza a pessoa em
nível quântico, viaja movido por um feixe de luz onde o tempo pausa
e desminiaturiza instantaneamente no outro ponto. –Assim a
estrutura se mantem intacta, é como passar rápido com a mão por
uma chama acesa, não queima.
Linda: -Eu tô falando
que está na nossa cara o tempo todo, você vai surtar quando
perceber. –Sabe o que foi um aparelho de ar condicionado?
Eloi: -Sim, meu pai me
contou uma vez, tem um compressor que comprime e descomprime
rapidamente o gás, não é?
Linda: -Exato, é
impossível ultrapassar a velocidade da luz, todo corpo aumenta de
massa em grandes velocidades, por fim o corpo teria o mesmo tamanho
do universo e continuaria na velocidade da luz. –Porém na
velocidade negativa este conceito de proporção se inverte, mas fica
bem melhor de trabalhar.
Eloi: -Tá e daí, mas
o que tem a ver o ar condicionado?
Linda põe um sorriso
no rosto e explica: -Em uma constância muito veloz, o corpo é
miniaturizado na velocidade da luz e desminiaturizado à 1% da
velocidade da luz fazendo sobressair mais a velocidade negativa que a
positiva e realimentando este ciclo até que “puf” é possível
romper a barreira da velocidade negativa da luz estacionando este
corpo em um tempo anterior ao que ele estava. –Claro, tudo isso nem
consegue chegar a ser percebido pelo viajante, de tão expresso.
Eloi: -Uau que massa,
sim muito expresso como é quando se atravessa uma porta, eu nem
percebo.
Linda: -Na verdade isso
está acontecendo exatamente agora conosco, olhe pra cima, estamos em
baixo do portal.
Sebastião olha pro
alto e vê o dia e a noite ao mesmo tempo que sem querer esbarra com
o mindinho no de Zaratustra. Os dois decidem não se olharem, fingir
que não aconteceu e continuam admirando lado a lado, um na lua e a
outra no Brazil.
Cris e Eloi acabam de
chegar na festa na primeira vez, linda é obrigada a atendê-los e
explicar sobre o voltar deles para o início da festa, Eloi corre
para entregar o isqueiro zipo ao seu eu mais jovem, o Cris do passado
atravessa a porta quando o Cris atual tropeça, esbarra quebrando o
retrovisor direito do Peugeot tipo XV estacionada no meio da cúpula
e cai sem querer fechando a porta do tempo que imediatamente fica só
a maçaneta dependurada ao lado da outra.
Linda grita em
desespero: Não, meu Deus!
Cris: -Desculpa Linda,
eu conserto.
Linda: -Você não
entende, esta era a última passagem que meu pai deixou liberada e
você fechou a porta. –Esse Peugeot é o xodó dele, pertenceu a
Santos Dumont e juntos meus pais venceram uma importante batalha
contra Mor Lock nesse automóvel.
Falta escrever, ida à selva fora da cúpula e morte de Linda.
[Linda diz a Sol que os índios são mortais (vendo à distância, antes de fujir com Sol)]
[Linda diz a Sol que os índios são mortais (vendo à distância, antes de fujir com Sol)]
[------- parei aqui
-------]
...e o
laço de Elisa
Donington Park, 11 de
abril de 1993.
[-Alô amigos da Rede
Globo. –Primavera na Inglaterra, início do mês de abril é assim
mesmo, anteontem chuva forte durante os treinos, ontem, sol durante
os treinos e hoje o tempo amanheceu coberto, já choveu e parou
inúmeras vezes, agora temos uma névoa sobre o circuito, muita
humidade, a pista está molhada, mas neste exato momento não chove,
até há uma claridade ali no céu, uma ameaça de o sol conseguir
romper essa camada de nuvens, essa camada de névoa principalmente
que vem se colocar sobre o autódromo, mas é exatamente isso,
primavera na Inglaterra, início do mês de abril, ninguém sabe o
que pode acontecer na corrida...]
[...Ayrton Senna está
prestes a ultrapassar a linha de chegada...]
[-Meu deus! -O que é
isso na pista? -Duas pessoas estão no meio da pista fazendo bater
Damon Hill da Williams-Renault, ferindo ambos...] [...- Senna sai da
sua McLaren e retira um idoso e uma criança da pista antes do choque
com Alain Prost...]
Rede Globo, 12 de abril
de 1993.
[-Genial, fantástico,
sublime, os ingleses hoje se desmancham em elogios a Ayrton Senna
depois da humanitária derrota de ontem em Donington, já com a
corrida ganha, para retirar uma criança e um idoso que subitamente
apareceram no meio da pista dentre a névoa.- A séria imprensa da
Inglaterra caprichou nos adjetivos. -O jornal The Guardian chamou
Senna de mestre de todas as superfícies humanas, o tabloide Daily
Mail disse que na pista é o homem que não tem mais nada a aprender,
já o influente Independent destaca que a primeira volta de Senna no
grande prêmio da Europa entrou para história do automobilismo ao
deixar para trás quatro adversários incluindo o rival Prost, em uma
manobra perfeita, Senna parecia estar ultrapassando caminhões em uma
autoestrada, e na última volta sua bandeira quadriculava humanidade.
-O dia seguinte do herói de Donington foi passado em um ambiente ao
qual ele já está bem acostumado, zeppelins e aeroportos. No começo
da tarde o zeppelim da Varig já estava pronto a espera das duas
vítimas que Ayrton fez questão de encaminhar ao melhor hospital da
terra em São Paulo, já que o sexagenário necessitava de uma
imediata cirurgia. O dono do show da formula 1 em Donington Park
provou não ser só campeão nas pistas. ]
Senna: -Existem certas
coisas na vida que com a dificuldade elas tem um sabor maior, uma
mulher charmosa, difícil, sempre tem um gosto melhor na hora da
conquista, tenho certeza de que este senhor vai se recuperar e voltar
com tudo, mas dessa vez na arquibancada. -Uma derrota como essa, em
condições como ocorreu, ela tem um valor superior, ela tem um
significado maior, é por isso que ela marcou e vai ficar no meu
coração pra sempre.
[-Senna deixava a
Inglaterra depois de uma das mais brilhantes derrotas da formula 1 em
todos os tempos. -Ayrton Senna embarcou de trem para Portugal onde
vai ficar descansando. Ainda nesta semana ele pretende finalmente
acertar o contrato dele para o resto da temporada com a McLaren,
embora, abalado. ]
Senna: -Sou um homem
temente a deus e acredito que isso foi um sinal.
Águas brasileiras 13
de abril de 1993.
[Elisa, quando revelada fala sobre o paradoxo ético]
[Eloi descobre que é uma ossada (Dom Pedro II te conta) e que que seu eu dominante é Pedro Afonso. Eloi vai pro futuro trancado e conversa com Boitatá, -então é só por isso que você quer me matar, para que eu não possa ser imperador do Brasil? Boitatá diz que sim, pois Eloi é o único inconsciente coletivo que não é malvado, isso põe em xeque a própria existência de Mor Lock neste futuro trancado. Eloi então vai para o dia 15 de novembro, nos porões do navio Alagoas e conversa com Pedro II, seu avô e pede para lhe contar no trem, que foi o que aconteceu.]
[Cissa guimarães acorda, procura todos, põe no seu walkman "barracuda", vê a escotilha do trem aberta e decide subir, lá em cima vê Elisa abrindo uma porta dentro dela mesma, ficando ao total duas Elisas. Elisa conta a Cissa sobre seu amor com Sol (-você já ouviu falar dele. -claro que conhece, é Solano Lopez.) Fala que Conde D'eu é um spacetime que veio do futuro para matar Sol, veio prometido a irmã mas se apaixonou por Isabel. Pede para cuspir a goma de mascar. E o telefone toca lá em baixo, elas lutam bem antes de Cissa atender. Cissa explica rapidamente tudo que Elisa te falou e Santos Dumont explica que ela é a última variável que mantém o universo desequilibrado.]
[Final]
Eloi aparece na sala de aula, Cris não está mas Sol sim. Linda pergunta se vai a festa dela, ele diz que não perderia isso por nada. Passa o video da Cissa na parede (entre os compilados) Eloi pede pra ver o vídeo e vê o discurso metafórico logo após ela descer do avião, aos repórteres.
Cissa agradesse Eloi "-esteja você onde estiver" no final do vídeo e Eloi volta pra casa correndo. Fala com a mãe, emocionado, pergunta a data e ela diz: 2993 "Eloi-depois de Nietzsche? Mãe- Não de Cristo. Eloi desabafa-Ah Cris, o que você fez.." Seu pei sai do banheiro dizendo "-Disse pra você não fazer merda". Nisso Eloi recebe uma ligação do amigo de Jerusalém "Cris-Eu preciso da sua ajuda, estou com um probleminha. Eloi-Esta aonde? deixa eu adivinhar xxx anos antes de Nietzsche ? -Exato".
Eloi se despede dos pais e diz que no caminho vai passar para pegar dois grandes amigos.
Dom Pedro II reaparece na universidade inglesa e os alunos fazem perguntas pertinentes ao crossover. Dom Pedro olha no bolso e percebe que está de posse do Mobi.
Elisa reaparece em Paris justo no momento em que Hitler está tomando a cidade, se aproxima dele e diz saber como, quando, e porque ele perdeu a guerra. Hitler pergunta "-O que você quer? Ela diz, numa risada de vilã "-Armagedom, mein Führer ".
[Elisa, quando revelada fala sobre o paradoxo ético]
[Eloi descobre que é uma ossada (Dom Pedro II te conta) e que que seu eu dominante é Pedro Afonso. Eloi vai pro futuro trancado e conversa com Boitatá, -então é só por isso que você quer me matar, para que eu não possa ser imperador do Brasil? Boitatá diz que sim, pois Eloi é o único inconsciente coletivo que não é malvado, isso põe em xeque a própria existência de Mor Lock neste futuro trancado. Eloi então vai para o dia 15 de novembro, nos porões do navio Alagoas e conversa com Pedro II, seu avô e pede para lhe contar no trem, que foi o que aconteceu.]
[Cissa guimarães acorda, procura todos, põe no seu walkman "barracuda", vê a escotilha do trem aberta e decide subir, lá em cima vê Elisa abrindo uma porta dentro dela mesma, ficando ao total duas Elisas. Elisa conta a Cissa sobre seu amor com Sol (-você já ouviu falar dele. -claro que conhece, é Solano Lopez.) Fala que Conde D'eu é um spacetime que veio do futuro para matar Sol, veio prometido a irmã mas se apaixonou por Isabel. Pede para cuspir a goma de mascar. E o telefone toca lá em baixo, elas lutam bem antes de Cissa atender. Cissa explica rapidamente tudo que Elisa te falou e Santos Dumont explica que ela é a última variável que mantém o universo desequilibrado.]
[Final]
Eloi aparece na sala de aula, Cris não está mas Sol sim. Linda pergunta se vai a festa dela, ele diz que não perderia isso por nada. Passa o video da Cissa na parede (entre os compilados) Eloi pede pra ver o vídeo e vê o discurso metafórico logo após ela descer do avião, aos repórteres.
Cissa agradesse Eloi "-esteja você onde estiver" no final do vídeo e Eloi volta pra casa correndo. Fala com a mãe, emocionado, pergunta a data e ela diz: 2993 "Eloi-depois de Nietzsche? Mãe- Não de Cristo. Eloi desabafa-Ah Cris, o que você fez.." Seu pei sai do banheiro dizendo "-Disse pra você não fazer merda". Nisso Eloi recebe uma ligação do amigo de Jerusalém "Cris-Eu preciso da sua ajuda, estou com um probleminha. Eloi-Esta aonde? deixa eu adivinhar xxx anos antes de Nietzsche ? -Exato".
Eloi se despede dos pais e diz que no caminho vai passar para pegar dois grandes amigos.
Dom Pedro II reaparece na universidade inglesa e os alunos fazem perguntas pertinentes ao crossover. Dom Pedro olha no bolso e percebe que está de posse do Mobi.
Elisa reaparece em Paris justo no momento em que Hitler está tomando a cidade, se aproxima dele e diz saber como, quando, e porque ele perdeu a guerra. Hitler pergunta "-O que você quer? Ela diz, numa risada de vilã "-Armagedom, mein Führer ".
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