Livro: O Rei do futuro. E o laço de Elisa

(escrevendo)








O Rei do futuro

e o laço de Elisa




Lavrador

Rio de Janeiro, 14 de novembro de 1889.
Não é possível soletrar Brasil sem dizer o meu nome, já teve saudade de alguém quem nunca conheceu? Sei que toda utopia merece sólido contexto, em outras palavras, corrente, capuz e prisão. Lhes dou tudo que tenho, meu mundo; Terra, como palco desta, mas neste jardim de túmulos não vou dizer às flores dos frutos.
Eu sou o futuro, um último instante de Brasilidade. Sou um personagem-narrador desta história, no momento não vem ao caso saberes da minha em particular, mas para narrar esta aventura preciso começar do início cronológico mais plausível e ironicamente este se dá no fim de um longo e proveitoso período do meu país, apenas 3 horas antes dos sinos da capela imperial anunciarem o dia 15 de novembro de 1889.
À praça que levaria o nome deste dia anoitece um homem encapuzado de frente ao paço. Facilmente confundiria se com um frei desembarcando pela estação de barcas Rio-Niterói na mesma escada em que 81 anos antes (embora eu não fosse nascido em 1808 para servir de testemunha ocular) teria subido Dom João VI e sua corte, se não fosse por um detalhe, aquele homem revelara-se uma mulher no delicado levantar do capuz. Linda dos seus 25 anos, Elisa, caminha depressa cruzando a iluminada Praça de Dom Pedro II até a Rua primeiro de março.
Nesta quinta para sexta, não era café que o carioca bebia nos cafés, mesmo assim a moça segue até uma taberna em frente à Igreja de Nossa Senhora do Parto, na rua São José. Foi a primeira vez que a vi pois ocasionalmente seguia pela rua em minha carruagem. Não a esqueço, pois, antes de entrar no café ela usou um smartphone preso à fivela do cinto para alterar seu traje holográfico de uma túnica para algo que eu descreveria como enlouquecidamente provocante.
Dentro, o forte cheiro de tabaco, o estalar das bolas de bilhar e a bebedeira dos presentes em sua maioria homens, pretos e brancos, contrasta com a porcelana da pele dela que sem mais, pede uma taça de vinho. A única outra moça do recinto era Francisca Edwiges mais conhecida como Chiquinha Gonzaga que quase imediatamente a convida para sua mesa junto aos amigos. Elisa aceita o convite para deleite dos sentados, papo vem e papo vai até que Elisa solta o boato: - Soube hoje à tarde que Visconde de Ouro Preto expediu uma ordem de prisão a Benjamin Constant e Deodoro da Fonseca.
Para a perplexidade dos boêmios seria necessário um assunto que mais combinasse com o teor alcoólico da mesa, porém não impediu que militares presentes ouvissem e repassassem o boato ao Marechal Deodoro que, sentindo-se ameaçado, poucas horas depois já estava liderando o golpe que destronaria Dom Pedro II.


















O Rei do Futuro



















Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1889 (No dia seguinte).
Às 5 horas da manhã a rotina no paço imperial de Petrópolis estava agitada, Dom Pedro acordava cedo para aproveitar a luz do dia e embora esta fosse a única residência da américa latina que possuía um telefone, e além disso, ligava-se à Portugal, e embora o Rio de janeiro tivesse sido a única cidade da também américa latina e segunda do mundo, a possuir iluminação elétrica; no paço de Petrópolis eletricidade não havia.
Bacias de prata lotadas d’agua ziguezagueavam pelo corredor do sobrado, junto às negras empregadas rumo aos aposentos do imperador. Era dia de tratar e aparar a barba que lhe tanto coçava o Rei, sua filha Isabel teria corriqueira honra da tesoura e navalha para fino cuido, se não fosse aquele telefonema.
Embabado de espuma para barba e babadores, nosso Pedro se levanta da penteadeira da filha e corre ao aparelho que berrava, gritando -Eu atendo, deixem que eu atendo!
Do outro lado da linha anunciava-se o golpe, pelas palavras do seu braço direito no paço da praça. Pedro e família descem de trem rumo ao centro do Rio, sem saberem que nunca mais voltariam para casa. No vagão real, para acalmar sua rainha e princesas, Pedro tenta descontrair dizendo: -Sabe o que ficaria bem num trem? –Telefone, imagine, eu poderia já estar resolvendo esta pendenga a caminho do Rio. –Vou ligar para meu amigo Graham Bell quando voltarmos à Petrópolis ainda hoje para lhe sugerir a ideia.
Chegando no paço, cerca de 300 militares renderam e obrigaram toda a família imperial a zarpar em exílio à Portugal vestindo a própria roupa do corpo. Com excelente aprovação popular, principalmente pela recém abolição da escravatura, executa-los seria impensável, assim como dar continuidade ao projeto de bolsa família e auxílio moradia aos 800.000 recém libertos, como pretendia o Imperador.
Enquanto a família imperial era banida para Portugal sob a flâmula da nova ridícula bandeira brasileira que imitava a dos Estados Unidos em verde-amarelo, no Rio, terminando sua última taça de vinho passeando pelo vazio paço de golpe, completamente nua sem o disfarce holográfico, observando ao longe o navio Alagoas pela larga janela do paço imperial, Elisa adentra à sala do trono, olha para ele por alguns segundos, avista a espada que pertenceu a Dom Pedro I, exposta na parede e com ela risca de ódio o quadro de Dom Pedro II jovem.
A noite fria deste mar expulso contrasta com pedidos de ajuda em garrafas lançadas por princesa Isabel e Teresa Cristina futuramente encontradas pela população que assistia bestializada a tomada da república da espada.
Nos Porões do navio Alagoas Pedro Augusto urrava em crise. Ele havia sido tratado sob a doutrina espírita de Hippolyte Léon (Allan Kardec) velho amigo da casa imperial, que lhe mantinha sadio até este dia, mas com a pesada realidade de não mais se tornar Dom Pedro III do Brasil, o neto tremia-se estirado no chão.
A noite cada vez mais trovejante fazia o navio tremer junto às convulsões de Pedro Augusto. Dom Pedro desce e o tenta acalmar, segura por um manto, abraça, e ao pé do ouvido diz ao neto:
-Calma, vovô tem um plano.
-Tem? Que plano vô?
-Shhhhi, fale baixo. Meu neto, por que acha que nunca cortei a barba?
-Sei lá, sempre achei que fosse por que o senhor morde invertido e tem esse queixão de babuíno.
-Não seja estúpido Pedrinho, cultivo esta barba para poder mudar de rosto imediatamente se preciso, lembre-se, faz 20 anos que meu rosto não é visto por ninguém. Existe planos para se construir uma estátua em homenagem a sua mãe, pela benfeitoria na assinatura da lei Aurea. Esta é a minha última carta da manga, com minha influência consegui assegurar que o monumento ou parte dele fosse construído em Paris, para onde vamos logo após Portugal. Retornarei irreconhecível dentro dum cavalo de Tróia carioca.
-Mas e se não der certo vovô? Não teremos mais ninguém do nosso lado.
-Só tenho uma palavra para isso meu neto, Redentor.
Paris, 15 de novembro de 1889 (Ao mesmo tempo).
Nisso em Paris 4 amigos reuniam-se no humilde apartamento de Gustave Eiffel ao topo de sua torre.
A torre Eiffel estava particularmente um pouco mais escura nessa sexta-feira, acredito que toda luz de Paris cabia dentro dela, em sua ponta de torre, no pequeno apartamento de Gustave: Graham Bell, Thomas Edisson e Nikola Tesla reuniam-se esta noite para o experimento científico mais importante de suas vidas. Todos membros da sociedade secreta STD (Spacetime Defenders) iniciada em 1859 pelos três amigos: Hippolyte Léon, Michael Faraday e Charles Robert Darwin.
Graham Bell acerta as últimas configurações do seu aparelho telefônico ligado a torre, Thomas Edisson liga as chaves disjuntores abastecendo o sistema de energia elétrica e Nikola Tesla ativa o raio que faria da torre uma antena ao cosmo.
Sentados frente ao aparelho, Graham Bell com um cone junto a boca como microfone gira o botão potenciômetro a procura de uma frequência de resposta sempre repetindo em inglês a cada tentativa: -Alô, aqui é Graham Bell falando de 1889, este é o primeiro experimento de ligação temporal, há alguém do outro lado da linha? Tentaram isso por algumas horas até que desistiram. Sentados nas poltronas compartilhando algumas doses de whisky, charutos e ideias Edisson diz: -Não entendo, deveria funcionar, devemos estar fazendo alguma coisa errada.
Eiffel: -Acho que tomamos o devido cuidado para cada uma das etapas.
Tesla se estica para encher novamente o copo, coloca um punhado de gelo: -Vamos recapitular, sabemos que o laser de ferro está acima da velocidade da luz, sabemos também que qualquer sinal partindo dele pode se comunicar com a torre esteja ela no passado ou no futuro.
Bell: -E que a torre está conectada ao aparelho telefônico, que fora instalado hoje, porém só poderíamos falar com este aparelho a partir do hoje.
Tesla: -Correto. –Mas é preciso que haja quem atende-lo.
Eiffel: -Quanto a isso creio que não seja o problema, pois as reuniões semanais da STD migraram para cá desde abril e continuarão acontecendo enquanto a sociedade existir.
Bell: -E mesmo que sejam apenas nas sextas, ao percorrer as frequências no aparelho acabaríamos inevitavelmente esbarrando com alguma possível conexão de um dos nossos futuros encontros aqui.
Tesla: -O que nos leva a crer em apenas duas possibilidades; ou por força maior não mais nos encontraremos, ou meu raio está refletindo na atmosfera e com isso perdendo velocidade. -E para isso precisaremos dispara-lo do espaço.
Edisson arremessa e estilhaça seu copo na parede de metal do apartamento: -Essa merda de corrente alternada está ferrando com tudo, não teríamos problema em atravessar a atmosfera com uma poderosa carga de corrente contínua!
Tesla se assusta e exprime na poltrona por uma fração de segundos, mas logo se ajeita, levanta e diz: -Meu querido a supressão do raio é que o define como laser de ferro, sua infinita dobra é a única coisa capaz de quebrar a velocidade da luz!
Bell querendo apaziguar o ambiente pergunta: -Mas quem seria qualificado para esta última peça do quebra-cabeças?
Eiffel, de pé e copo meio cheio apoiado na palma da mão e na barriga, olhando pela janela ao fundo, o horizonte do sol: -Creio que vamos precisar encontrar nosso quinto elemento.



















Paris, 4 de dezembro de 1891 (2 anos depois).
Caminhando depressa dentre as carruagens na rua de paralelepípedos enfeitada de natal e os parisienses da calçada, Alberto Santos Dumont com 18 anos esbaforido de elegância finalmente chega na oficina de Armand Peugeot.
O jovem inventor apaixonado pela cidade luz, se apoia num poste para pegar fôlego por alguns segundos e logo adentra a fábrica de automóveis.
-Está pronto? Pergunta o jovem Dumont em impecável francês, referindo ao automóvel Tipo XV que encomendou a Peugeot nas suas especificações projetadas pelo próprio jovem inventor. São Paulo ainda não sabe, este será o primeiro automóvel de motor a explosão do Brasil, e o mundo nunca soube que, se não fossem as modificações elaboradas pelo jovem inventor, esta máquina nunca teria virado moda.
Alberto, ao ver o automóvel montado parece ficar hipnotizado pela criação, logo ascende o motor pela parte de trás, senta no carro, desengata a manivela bem devagarinho e fascina-se pelo acelerar da carruagem solta do passado e puxada pelos cavalos da Belle Époque.
Saindo do galpão, enfrentando as movimentadas ruas Parisienses, sendo alvo de olhares e ostentação, em seu pulso toca um despertador estridente, Alberto logo olha para o relógio e se desespera por estar atrasado para um decisivo compromisso com a História. Acelera rumo a natalina Torre Eiffel.
Inglaterra, 4 de dezembro de 1891 (Ao mesmo tempo).
Enquanto isso na Inglaterra, no auditório principal da Leicester School of Art, alunos esperam ansiosos pelo palestrante convidado Dom Pedro II, que leciona literatura comparada na universidade de Paris em seus anos de exílio. Cada vez mais e mais alunos de diversos cursos se amontoavam até mesmo de pé no auditório, quando o anúncio dele. Ele! Um dos homens mais inteligentes da sua época, fluente em 14 idiomas e 27 dialetos, dentre eles Sânscrito e Tupi Guarani, nosso nerd brasileiro Dom Pedro II.
Um respeitoso silêncio impecável acama o ambiente num extenso lençol de retalhos, dos olhares por vezes tão estudados nos livros mais pesados, mas que no instante, estaria no discurso do mais respeitado Rei.
No gogó Pedro se apresenta de boa noite e saúda o nome da instituição no som da sua voz que nunca alcançou a maior idade, e também nunca lhe foi problema.
-Boa noite plateia, sou Pedro, professor de Literatura comparada. –O que é literatura comparada? –Apenas o explicitar do comum de duas? –O diferente delas? –Seria mesmo tão simples assim resumir esta matéria? “Lit. comp.” é a ciência que não só analisa duas obras da mais distinta uma doutra, como principalmente às funde na grande obra da vida comparada à ela mesma, como loop, como um laço, como eterno retorno.
Com um súbito gesto descobre os dois cavaletes revelando um cartaz em cada.
-Ao meu lado direito temos a obra Also sprach Zarathustra, título original em alemão, mas que em inglês significa: Assim falou Zaratustra de Friedrich Nietzsche.
-Já na esquerda, a de não menor valor obra: A máquina do tempo do vosso compatriota H. George Wells. –Entrem meus convidados, por favor.
E entram pelos seus respectivos lados até seus púlpitos situados cada um em frente ao cavalete do seu livro, H. George Wells e Friedrich W. Nietzsche, sob intenso aplauso.
Pedro: –De antemão agradeço a súbita presença do senhor, Nietzsche, para quem não sabe era esperado hoje a presença do escritor Júlio Gabriel Verne, que por algum motivo recusou debater com Wells.
Os presentes não escondem suas irônicas galhofas.
Nietzsche: –Boa noite, presentes, Wells. Em sua obra antes mencionada, ficou-me uma questão. -Por que razão um gênio inventa a máquina do tempo na literatura sem explicar seu funcionamento? –Fica inevitável pensar que no seu principal tema, a relação de poder entre as classes, a explicação ou mesmo discussão seja tão aprofundada quanto sua máquina.
A plateia ri e Wells também.
Paris, 4 de dezembro de 1891 (Ao mesmo tempo).
Nisso, em Paris, já no quase último degrau da torre Eiffel, Dumont toca a campainha para o apartamento do engenheiro que o recebe junto aos outros três Spacetime Defenders.
-Desculpem-me pelo atraso.
Tesla: -Não se desculpe, trouxe o balão?
Dumont: -Sim, preciso da vara de bambu.
Bell: -Tome.
E o jovem põe na ponta da torre um pequeno balão a hélio. Os membros da sociedade fecham a porta, Bell checa o aparelho telefônico, Tesla seu sistema, e Edisson liga os disjuntores.
-Prontos?
Eiffel: -Então como de costume nas reuniões dos STDs vamos abrir os trabalhos com a oração da serenidade.
Todos de mãos dadas: -Concedei-me Senhor do Tempo, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar; coragem para modificar aquelas que posso, e sabedoria para distinguir umas das outras.
Dumont olha para o pulso junto aos amigos acompanhando cada tiquetaquear do ponteiro mais fino até seu toque, que toca.
Sincrônico, o relógio que prendia o balão no alto da torre, o libera como o ballet do tempo, uma pena que desafia os céus, subindo e subindo. Dentro dele há consecutivos balões menores um dentro doutro como boneca-russa. Em cada balão, o ponto de ruptura, sempre em sua base, quando rompido pela pressão atmosférica a cada cem quilômetros, impulsiona o balão menor para cima, como um estilingue em efeito cascata até o cosmo. Já o último balão do tamanho duma bolinha de gude prateada, serve de ponte para o laser de ferro disparado.
-Alô, aqui é Graham Bell falando de 1891, este é o primeiro experimento de ligação temporal, há alguém do outro lado da linha?
-Alô, aqui é Graham Bell falando de 1891, este é o primeiro experimento de ligação temporal, há alguém do outro lado da linha?
-Alô, aqui é Graham Bell falando de 1891, este é o primeiro experimento de ligação temporal, há alguém do outro lado da linha?
Quando de repente é respondido: -Alô.
Todos se olham por meio Segundo e…
-Hello, this is Graham Bell talking about 1891. It's a great pleasure…
-Alô, quem está falando. (Em português).
Santos Dumont arregala o olho, arranca o cone da mão de Graham Bell e responde:
-Alô, aqui quem fala é Santos Dumont, de 1891, é um imenso prazer conversar com você, por gentileza, de que época você está se comunicando?
O outro lado da linha parece dar uma gargalhada e responde: -Ok Santos Dumont, então não invente o avião pra não ser usado na primeira e segunda guerra mundial, o senhor me desculpe, mas eu tenho mais o que fazer. E bate o telefone.
Inglaterra, 4 de dezembro de 1891 (Ao mesmo tempo).
No auditório principal da Leicester School of Art na Inglaterra...
George Wells: -...então só para concluir, essa visão Maniqueísta do médico e o monstro, erguendo a bandeira desse monstro infinito, só não é diferente do médico que de tão perfeito para a sociedade eu pergunto, qual sociedade? No meu livro eu abordo essas diferentes óticas de sociedade cada qual em sua época entende amigo Nietzsche?
Dom Pedro II o interrompe: -Bom, infelizmente temos que encerrar o debate pois do contrário, não teremos tempo para as perguntas.
Plateia: -Ahhhh...
Pedro diz com amor no coração: -Dificilmente, sinceramente, na minha humilde opinião, dificilmente alguém conseguirá um dia superar a originalidade destas duas obras primas. Tanto no futuro como no passado. (Diz olhando para Wells fazendo o público entender a ironia)
Pedro: -Alguém tem alguma pergunta?
Uma porta no palco, atrás de Pedro se abre e sai um garoto de 14 anos, confuso e desconcertado ao se deparar com um auditório abarrotado de gente.
-Oi, desculpe, entrei no lugar errado.
A plateia o aplaude e Pedro para não perder a compostura diz: -O senhor tem alguma pergunta para fazer?
Todos riem pela pergunta sacana ao ponto.
O garoto se chega de pé do ouvido e sussurra: -Por favor, que dia é hoje?
Dom Pedro, fala em voz alta: -Que dia é hoje? Hoje é dia quatro meu filho.
Em efeito retardado um holofote ilumina o novo personagem que diz em sussurro: -Mas de que ano?
Nesse instante Pedro muda as feições e por alguns segundos gela esquecendo todo o resto, como se um silêncio súbito pairasse em sua mente.
-Desculpe, não quero atrapalhar. O jovem volta, e encosta a porta.
Pedro a reabre e atravessa, encontra o adolescente de costas em um outro ambiente de mata fechada sob altivas árvores.
O garoto se dá conta que esqueceu de bater a porta, ao virar bate de frente é com um Dom Pedro II pasmo.

























Inglaterra 26 de dezembro de 2893 (1.002 anos depois).
-Meu senhor, por que me seguiu, já tenho problemas o suficiente.
Nisso, pelo vento a porta fecha e some ficando só a maçaneta que cai no chão.
Linda: -Por que você trouxe um homem de lá?
O garoto: -Desculpe Linda, o lugar tava lotado, acho que não tinha o Peugeot.
Cris: -Como vamos leva-lo de volta agora que a porta bateu?
Sol: -Não deve ser ninguém muito importante. –O senhor fala minha língua? –É importante para o seu tempo?
Linda: -Para amor!
Pedro: -Homem, eu te digo, na verdade, não mais muito. -Onde estou? –Que lugar é esse?
E antes que puderam responder, um bando de índios captura-os sendo amarrados rapidamente e jogados pelas árvores. Linda e Sol conseguiram fugir do abrupto rapto nessa selva.
De árvore em árvore na velocidade indígena paisagens muito antigas, cobertas pela mata, ruinas de outras eras são facilmente reconhecidas pelos reféns na viagem... Palácio de Buckingham e uma roda gigante, tudo coberto pelas distantes copas das árvores.
Desculpe minha narrativa depressa, estou literalmente lutando contra o tempo, este, em culturas passadas chamado de Cronos, hoje é nomeado Boitatá, o último homem, o mesmo mencionado em “Assim falou Zaratustra”. Aqui onde estou redigindo a última biografia humana, a cada letra come-se uma fração do espaço-trempo.
Ao chegarem nas gordas caldeiras que de tão ácidas quase não foi preciso esforço para desfazer as amarras dos cipós que se misturavam no molho. Iludidos por lanças a permanecerem na agua em fervura, Pedro, Cris e o garoto (Eloi), olham um para o outro quase que no zerinho ou um discutindo calados a hora do pânico; quando Pedro arregala agora mais o ouvido que o olho: -Eu estou entendendo o que eles estão falando! –É Tupi.
Cris: -Pelo amor de deus homem, fala alguma coisa então!
-Anauê, Xá Xará Pedro (Olá, meu nome é Pedro).
Os índios param com o trabalho nas lenhas e prestam atenção.
Pedro: -Xá Potar Perudá (eu quero amor).
Ao ouvir, um indiozinho corre em disparada até a oca mais distante, adentra respeitosa e medrosamente e diz: -Pajé, os alimentos estão falando.
Pajé: -Como ousa perturbar meu sono pra isto? -É claro que falam, eles sempre falam.
Indiozinho: -Mas em tupi pajé?
Neste instante dois índios em cima da caldeira retiram Pedro e seus amigos da mesma com bambus de alavanca pelos sovacos e já no tocar do chão são presos pelos pescoços e obrigados a seguir até o Pajé que já havia saido da oca e já estava sentado em seu trono.
O Pajé o olha de cima a baixo: -Eu sei quem você é Pedro.
-Homem eu te digo, como sabe quem sou? –Pois nem sou daqui.
-Tu és o Rei do futuro, filho. –Os brancos fizeram a porta do tempo, trancaram e jogaram a chave fora.
Pedro: -O senhor deve estar me confundindo com outro Pedro, não?
Confesso que sempre estive em cima do muro quando o assunto foi república x monarquia; em 1889 quase não fiz clamor. Fui revivido do cemitério de São João batista em 3006 D.C. e continuei sem lado até agora. Hoje, quase no fim da existência do universo que segue tua natural entropia, posso dizer com autoridade o que deu certo e o que não na longa história humana e finalmente posiciono-me, então pode-se dizer que esta história está sendo escrita por um narrador-personagem republicano, e como definitivamente minha identidade não é de importante, por que não dizer que pela República personificada?
Pajé: –O filho do branco é preto, Boitatá se chama, o filho do tempo o último homem que nunca deveria ter nascido. –O líder dos Locks, ele é o Mor Lock, o maior Lock que existirá. –Nós índios sabemos de tudo, somos escravos do tempo e senhores do trempo. –O trempo está todo amarrado.
Cris sussurra para Eloi: -Você não está vendo quem ele é?
Eloi: -Não.
-Não lembra da foto na última aula de história?
Pajé se levanta e dá ordem de soltura para os alimentos da tribo.
Já secos, pelas indiazinhas, Pedro, Eloi e Cris recebem a benção do Pajé.
-Tome meninos, que façam boa aventura. Põe na mão de Eloi a maçaneta e lhe calça o relógio no pulso.
Eloi segura a maçaneta com a mão do relógio e a porta reaparece.
Cris, eufórico já se levanta da pedra preparando sua partida quando com uma vara o Pajé lhe impede dizendo em Tupi: -Este outro garoto fica, se for, tudo sairá errado.
Eloi indigna-se pelo gesto e pergunta a Pedro: -O que ele disse?
-Ele disse, “esta não é a sua aventura”, Cris precisa ficar.
Eloi então tranquiliza Cris: -Fique calmo eu vou só pegar o espelho retrovisor esquerdo, já volto em instantes, Linda e Sol já devem estar trazendo ajuda.
Cris reluta, mas em vão, seja sincero, você discutiria com índios do futuro?
Antes de irem o Pajé diz a Pedro: -Majestade, lembre-se do livro “Os lusíadas” quando o protagonista vê o futuro de Portugal através da máquina do tempo.
Pedro olha aos olhos do Pajé e exclama-se: -Homem, eu te digo, como não percebi antes? –O primeiro livro a abordar o tema nunca foi o de George Wells.
O Pajé reafirma: -Sim Pedro, este menino vem deste exato ponto da história, 8 anos antes da queda que poria a humanidade em um milhão de anos de trevas, devido ao alto gasto com a colonização do universo e descaso na política interna.
Antes de viajarem para algum lugar do tempo ao atravessarem aquela porta, Pedro de curioso pergunta a Eloi o porquê do relógio e maçaneta, que lhe responde: -O miolo do relógio é criado juntamente com o da maçaneta, só há um relógio para uma porta, é uma segurança como em um jet-ski, caindo dele nas águas do tempo a porta te espera em sincronia. E obviamente Pedro II indaga sem resposta: -O que é um Jéte esqui?
Então Eloi gira a maçaneta gritando “-Randômico!” e ao abrir a porta que deu numa pista de corrida de fórmula 1, um dos carros a estilhaça em pedaços zunindo a maçaneta, o carro, Pedro e o adolescente à pista do outro lado da porta do tempo.
Ainda em 2893, o Pajé se senta em seu trono convidando com a palma da mão, a Cris se sentar na rocha em frente. Para surpresa de Cris o Pajé diz em português: -Estou esperando este nosso encontro a minha vida toda, você não faz ideia. O velho tira, de sua biblioteca logo ao lado, um exemplar do livro “O Rei do futuro e o laço de Eliza”, remove o marcalivro sem deixar escapolir a página marcada e lê para o adolescente:
Dizem que há um livro escrito sobre tudo ao final do universo e que somente seu escritor pode dar o parecer final sobre as coisas do homem, pois é, estou eu aqui ao final dos tempos e por algum motivo que desconheço, Brasil é o centro do universo... Toda história do homem está atrelada diretamente à brasilidade. Num passado bem remoto, restaurar a monarquia teria sido a melhor solução para as enfermidades do país, hoje posso afirmar isso. O problema sempre esteve nos seus seguidores que tentaram restaura-la reforçando valores religiosos como quem esculpe uma moral de barro. Estes esquecem do que foi o segundo reinado, uma república coroada, a implementação do quarto poder, o poder moderador, chegou bem perto de mudar a história da humanidade para melhor se não fosse o detalhe, não caiu no gosto das outras nações e é claro, o golpe de 1889. Restaurar a monarquia no Brasil é pensar fora da caixa e ter como valor, apenas ética, nada de moral ou bons costumes.
Ironicamente este encontro do Pajé com o menino Cris esclareceria tudo, mas não posso seguir a narrativa desta história sem lhe contar o mito do Macaco:
Há 500 mil anos atrás, onde um dia seria a praça em frente aos arcos da lapa, no centro do Rio, mas que nesta era do gelo somava-se ao continente africano, nasce o primeiro Homem. Fruto de uma árvore genealógica repleta de incestos, ele nada se destinguia dos outros macacos exceto pela anomalia genética que o faria, não importa o contexto ou possibilidade, achar a vida sempre um pouco insatisfatória. Os primeiros sinais de inteligência apareceriam em sua nova espécie apenas em alguns milhares de anos à frente, enquanto isso o primeiro homem ocupava-se em assassinar todos de sua comunidade pelo simples fato de serem diferentes, exceto Eva, com quem procriou e teve dois filhos. Todos os animais precisam se adaptar ao meio e estaguinam, mas nunca o Homem. A aranha que constrói a delicada porém complexa teia, a faz ridiculamente igual por centenas de milhões de anos.
Os dois filhos do Homem foram os primeiros a dividir o universo, pois apenas o Homem pode desafiar o Homem e sendo assim, Abel foi morta por Caím. Desolado e sozinho no universo, Caím saiu desesperadamente à procura de outros macacos, e esta é a terceira fase do cíclo do homem, para mim a mais bela, a catarse do genocida.
Em sua quarta fase, o Homem coloniza o universo, como um vírus, qualquer outro animal que evolua ao ponto de “saber que sabe” é considerado humano, pois tua alavanca evolutiva foi o insatisfatório, seres assim são espalhafatosos, de fácil percepção, infelizmente o Homem está sózinho no universo inteiro pois nunca percebemos outro, pra não restar dúvida, estou no fim dele e posso dizer com ganho de causa.
Mas em 2613 um temponauta revelou ao mundo o documentário com imagens filmadas no passado de Adão, Eva, Caím e Abel, apresentando ao mundo “O mito do Macaco”. Finalmente o homem aprendeu a diferenciar um problema real de um virtual. Por exemplo, fome é um problema real, mas estar insatisfeito em qualquer contexto e hipótese pra sempre, é um problema virtual e deve ser combatido como quem está parando de fumar, com racionalidade e lógica. Nasce dai o Homo sapiens sapiens sapiens, aquele que sabe do porque que ele sabe que sabe, e pode transcender a sede do insatisfatório no DNA, esta é a quarta fase do cíclo do homem. Infelizmente este cinegrafista temponalta deixoiu acidentalmente e desapercebidamente cair sobre os restos mortais de Abel e de todos os outros macacos assassinados por Adão, uma pílula azul; em 2613 existiam de várias idades: 13, 15, 25, 30... Porém seu uso seja costumeiro apenas em idade adulta uma vez que estas pilulas quando ingeridas, ou em contato com uma ossada, torna o tal corpo, imortal, eternamente estagnado na idade que vem escrita no medicamento, seu uso em crianças é restrito a casos especiais de vida e morte já que cura e imortaliza o paciente. No caso, reviveu o DNA de Abel fundido aos outros macacos chacinados por Adão. Ela era então a primeira mulher humana e o primeiro humano revivido, o inconsciente coletivo de uma comunidade, bestial, ignorante e vingativa. Metade Homem, metade Macaco e metade cobra. Abel evoluiu ao longo das eras e como uma Deusa, perpassou toda a história humana até se tornar, em um futuro muito distante, o maior dos Locks, Mor Lock. Para os índios da antiguidade, Boitatá a serpente de fogo.
Caro leitor, você deve estar bastante confuso neste ponto do livro. Embora não tenha vindo dizer às flores dos frutos, eu falei que precisava começar pelo início mais cronologicamente plausível e sem querer ser irônico tive de citar Cronos, ou Boitatá se preferir, mas vamos então agora ao outro início desta aventura.












Planetoide Hebe Camargo, 25 de dezembro de 2893 (1 dia antes).
Como pena na água, submersa, flutuante, Eloi dormia em seu quarto perfeitamente inundado. Ele, diferente de mim, não precisava de oxigênio nem nada se não só mais 5 minutinhos que sua mãe não o presenteara, ao estourar sua grande bolha flutuante nas palavras: -Acorda, já estou saindo e você não pode ficar sozinho em casa, vai logo pra sua aula.
A água nem chega a tocar o piso, se dissolve no ar, diferente do garoto que, nu, se amacia no chão.
Ainda nu, assim como seu pai e mãe no que poderia ser chamado de mesa de café da manhã, com toda naturalidade da moda de sua época, ainda havia café.
Pai: -Bom dia filho. Cumprimenta enquanto olha fixamente a parede branca.
-Bom dia pai, já estou indo mãe.
Mãe: -Espera, dormiu bem?
Eloi: -Mais ou menos, sonhei novamente com aquilo.
Mãe: -A quilo o que?
Eloi: -Ah em cima dum cavalo, levantava meu elmo, via uma névoa e acordei.
Os pais discretamente se entreolham.
Mãe: -Ta certo filho, não esquece o relógio!
Eloi olha para cabeceira flutuante ao lado da porta da sala, vê dois relógios de pulso, o da sua mãe e o seu, o pai já estava com o dele calçado. Eloi veste seu pulso e imediatamente aciona o comando de voz –Heavy metal. Pedindo ao aparelho que toque este estilo sonoro em sua mente. O jovem gira a maçaneta e ao atravessar a porta, é tele transportado para sua sala de aula no planeta Brazil, ao som mental de caught somewhere in time de Iron maiden.
Professor: -Atrasado de novo Sebastião Hartdegen.
-Professor, peço mais uma vez que me chame pelo nome social Eloi.
-Pede é porra nenhuma, sente-se!
Professor: -Alguém pode me dizer quem é este sujeito?
Eloi rapidamente sentado, rapidamente também já ajusta o relógio para conseguir ver a projeção mental na parede branca atrás do mestre.
-Sim Linda, diga.
Linda sem dúvida faz jus ao nome, e até o seu levantar de dedo pedindo a palavra é charmoso.
Linda: -Dom Pedro Segundo Professor.
-Exato, parabéns Linda! –Mas quem foi Dom Pedro II?
Aluno aleatório 1: -Um ditador.
Aluno aleatório 2: -Ele não explorou o Brasil professor?
Aluno aleatório 3: -Não seu burro, esse foi o português!
Professor: -Como? –Como os portugueses poderiam ter explorado o Brasil?
-Brasil era um estado de Portugal, é como se por exemplo a Inglaterra explorasse seus planetas, ou Brasil e Portugal suas galáxias. –Entende? –Não há exploração quando se é dono do que estaria roubando. –Eu tenho um sítio no setor Carmen Miranda do oceano pacifico, e moro aqui na Argentina do Brasil, ora, quando eu trago balgas para meu apartamento daqui eu estou explorando minha outra casa?
Aluno aleatório 1,2,3...: -Não... Realmente.
Confundido com o som da banda britânica surge um pensamento na mente de Eloi “-Nunca ouvi tanta imbecilidade” “-Pra ser sincero nunca senti diferença entre esquerda e direita, sei que sou muito jovem, meus pais tem séculos de idade, meu professor um pouco mais, mas caramba, consigo diferenciar um discurso de ódio de uma aula de história”.
Aluno aleatório 1: “-Eloi“. Chama por telepatia o melhor amigo que faz girar o pescoço em direção ao outro lado da sala.
“-E ai Cris”
Cris: “-você vai na festa na cúpula da Linda?”.
“-Tá louco? –Nem fui convidado, ela nem fala comigo”.
Cris: “-Comigo também não, mas geral vai”.
“-Ah não sei Cris, você sabe, meu corpo, vão ficar me zuando. -Ai como eu odeio esta época”.
Cris: “-A festa vai ser com roupa, precisa ir vestido”.
Eloi: “-Meus pais nunca vão deixar eu usar roupa, muito menos fora de casa”.
“-Pega alguma coisa da sua mãe”.
Eloi: ”-Cara, minha mãe não usa roupa há 600 anos”.
Professor: “-Estou por acaso atrapalhando o pensamento de vocês com a minha aula, Cris, Eloi?“.
Cris: -Não professor, desculpe!
Risos da turma...
Professor: -Alguém quer me responder por que, na prática, as duas línguas faladas pela humanidade são o português e o inglês?
Aluno aleatório2: -A aliança luso-britânica é a mais antiga do universo.
Professor: Parabéns Sol, mas só este dado não explica.
Linda levanta novamente seu lindo dedinho dizendo: -Tem a ver com a Babelização, né professor?
Professor: -Exato princesa, olhem todos pra parede.
Desculpe, como narrador-personagem falhei em não descrever tão corretamente o cenário desta sala de aula. Pois bem, ela está situada num dos milhões de andares desta agulha urbana, você deve estar se perguntando o que é uma bendita agulha urbana, trata-se de um prédio bem fino, composto por apenas 4 apartamentos por andar e milhões de andares pra cima e pra baixo. A partir de um certo andar, as janelas são proibidas de serem abertas, são vedadas e este era o caso da sala de aula de Eloi que só podia ver por elas, um vasto campo de mata nativa e ao fundo, quase que imperceptíveis como um fio de cabelo contra luz, outras duas ou três agulhas urbanas solitárias equidistantes. Como se o homem nunca tivesse pisado neste planeta. Não existem veículos civis nesta época, só existem portas, janelas e a vasta natureza humana.
Professor: -Nesta projeção aqui na parede podemos ver as três castas da humanidade, no topo temos os Locks, não sabemos quem eles são, tudo o que sabemos é que eles vivem num futuro muito, muito distante. Não sabemos se quer se são humanos, mas o principal...
E a Turma em uníssono responde: -É que a partir da data “D” nenhum temponauta consegue passar...
Professor: -Eu sei que vocês já estão cansados de saber disso, mas por que nenhum temponauta consegue, por mais que tente cruzar esta determinada data?
Eloi: -Os Locks interferem e moldam os acontecimentos históricos de modo a preservar sua existência futura.
Professor: -Exatamente! –E estes temponautas são chamados de Spacetime Defenders, não é princesa?
O professor termina a frese olhando e apontando com as duas palmas das mãos para Linda Zaratustra.
-Linda é filha de dois ilustres STDs, reis do tempo, e isso faz da coleguinha de vocês uma princesa de verdade. -Isso nos leva a próxima casta, a dos monarcas temporais, uma sociedade com mais de mil anos de história e que se não fosse ela, não saberíamos de nada nem do nosso futuro nem muita coisa do nosso passado enquanto humanidade. –Hoje conseguimos viajar de um ponto a outro do universo instantaneamente, por exemplo uma viagem que leva 10 milhões de anos. –Toda nossa noção de tempo é baseada na segurança de que esse futuro existe, se eu quiser fazer essa viagem hoje e passar dois dias relaxando do outro lado da galáxia, eu posso ir na boa, mas quando voltar terão passado 20 milhões de anos e dois dias, e todos vocês terão vinte milhões e 14 anos de idade, entende como tudo isso é louco? –Para mim terá passado apenas 2 dias. -Quando a humanidade descobriu a cura da morte há quase um milênio atrás, ela não fazia ideia de que curar o câncer, a coisa na qual estava mais empenhada a fazer na época , não se limitaria só a curar a maldita doença, mas sim controlar o tumor e impedir a morte de células e sua duplicação falha em todo nosso organismo de forma planejada.
Neste momento o aluno aleatório número três põe no colo de Eloi um objeto retangular que tinha passado de aluno a aluno.
Cris: “-Toma ai, me agradece depois“ (Telepatia).
Eloi para Cris: “-Que isso cara? –Tá maluco?”.
“-Não disse que estava sem roupa pra festa? –É uma relíquia lá de casa, um smartfone, vai hologramado pra festa cara, ninguém vai perceber”.
Eloi: “-E como eu vou chegar em casa com isso?”.
“-Mas tu é burro mesmo não é? –Põe na cintura, vai hologramado de você mesmo só que nú”.
Professor: -Em terceiro plano nas castas humanas temos nós, reles imortais, pessoas comuns. -Mas por que eu dei essa volta toda? –Este ano estamos completando mil anos da revolta da armada que aconteceu lá no Rio de Janeiro. –Essa foi a primeira tentativa de restaurar a monarquia no Brasil.
O professor passa um compilado de vídeos na parede, dentre eles comerciais da campanha monárquica do plebiscito realizado em 1993.
–Mil longos anos, muita coisa aconteceu, o Brasil realmente se tornou o país do futuro detentor de metade das galáxias do universo na sua política milenar de braços abertos, mas ainda hoje tem quem defenda a volta da coroa, 900 anos depois deste plebiscito. -Estou distribuindo a vocês estas relíquias. O professor distribui algumas cópias raras de Triste fim de Policarpo Quaresma.
Professor: -Alguém já leu?
Eloi: -Professor, desculpe, só uma pergunta, que é essa desse vídeo?
A turma toda faz um “ê” do tipo quem satiriza o interesse repentino de um adolescente por uma mulher, já deve ter acontecido igual em sua época de colégio. Eloi num misto de constrangido com curioso é respondido pelo mestre: -Essa ai foi Cissa Guimarães, garota propaganda do plebiscito monárquico, mas retomando a linha de raciocínio, Policarpo Quaresma é um nacionalista ferrenho e acaba por lutar contra a revolta da armada. –Por fim alguns dos seus colegas desertam, fugindo e sendo presos, Policarpo então, por defende-los, é condenado e vira mártir do seu próprio ideal o qual nunca entendeu.
-Meninos, é muito importante escolher um lado. –Mais importante ainda é entender a própria escolha. –Policarpo mesmo tão estudioso, nunca entendeu qual lado político realmente defendia seus ideais; se a república da espada, oportunidade única do novo Brasil, ou a revolta da armada, defensora do período mais estável que o país já viu.
-O que vocês acham disto?
Sol: -Eu acho que infestar metade do universo de malditos clones vai ser um absurdo, não é à toa que os Locks se trancaram naquele futuro! –Mor Lock deveria destruir o Brasil no passado!
Cris: -Que absurdo cara!
Professor: -Nananinanão, deixe o aluno se expressar como queira, é direito dele.
Linda: -Amorzinho, eu sei que os clones são mais puros geneticamente do que nós normais, mas será uma solução viável pra popularização do universo.
Sol: -Só eu vejo que eles são umas aberrações? –Já nascem imortais, e sem precisar de oxigênio!
Linda: -Por isso amor, é mais barato que modificar geneticamente um nascido de mulher.
Cris: -Eu acho que antes de fazer clones, deveríamos reviver os mortos para colonizar o universo.
Sol diz: -E os custos pra isso? -Ahhh vá!
Professor: -Calma todos, vamos recapitular a aula do mês passado, olhem a parede, sabem quem é este?
Linda: -Santos Dumont professor.
Cris: -Ele inventou o café ne?
-Isso mesmo princesa, e não Cris, o café é árabe, ele descobriu a fusão do grão de café. –Essa história é linda.
O professor senta no que poderia ser uma escrivaninha, cruza a perna, olha pro alto e no segundo respiro começa, apontando a projeção: –Este carinha ai foi o responsável por a Alemanha ter ganho a grande guerra mundial, os planadores dos irmãos Wright nem se comparavam aos dirigíveis de aço desse inventor brasileiro ai, certo que não foi uma guerra muito longa, durou 3 meses, mas nenhuma antes na história teria movimentado todo o planeta Brazil, na época chamado de planeta Terra. –Quando os Estados Unidos quebraram sua bolsa, foi a Alemanha quem os ajudou a se reerguer.
Eloi: -O que são estados unidos?
Professor: -É a Inglaterra, a América do norte ficou um breve tempo independente, foi até um país, mas não durou muito. –Continuando, daí esse sujeito da foto, um ano depois da famosa primeira ligação telefônica ao futuro, da torre Eiffel, perde o pai e se vê obrigado a retornar para as fazendas de café da família em Minas Gerais para tocar o negócio. -Isso o fez profunda depressão longe de Paris, a cidade que amou, até que olhando para um grão de café em sua palma da mão perdido nos pensamentos, ele grita (-Eureka!), como nosso gênio não poderia ter pensado nisso antes? -E correu para seu laboratório testar sua hipótese.
Linda: -Que hipótese?
Professor: -A de que um único grão de café feito nas condições do solo brasileiro, quando colidido, sua fusão geraria mais energia que necessária para iluminar uma cidade inteira. –O café nunca poderia ser utilizado para fins bélicos pois não funciona como uma explosão comum daí nasceu a explosão curta e a humanidade parou de precisar de hidrelétricas, para assim entrar no período Steam Punk que vai até a invenção da internet quando inaugura o Cyber Punk.
Eloi: -Sou completamente apaixonado por esse tempo professor. –Veículos nas ruas, cidades, roupas e próteses movidas a grãos e engrenagens. –A era de ouro do vapor com o puro aroma do café.
O bipe mental toca sinalizando que a aula acabou por hoje, todos fazem uma fila na porta para se tele transportarem um a um às suas respectivas residências.
Na fila Eloi causa de ficar logo atrás de linda, nos amassos com seu namorado Sol. Cris vai se metendo de meio a meio na fila até Eloi e pergunta: -E ai, bora?
Linda para de beija-lo, olha pra trás e confirma a pergunta: -Você vai na minha festa né Eloi?
Eloi: -CCClaro.
Cris: -Uhul isso ai! –Vou te ensinar a usar esse celular. Fala isso ajustando o aparelho na cintura de Sebastião. –Pronto, agora você está hologramado de nu, isso esconde o aparelho pro seus pais.
O casal viaja pela porta, Cris e depois Eloi, pra casa, não antes de olhar ao fundo os exemplares do livro nas mesas sendo recolhidos um a um pelo professor.
Desta literatura comparada que narro, este seria o segundo livro de apoio, juntamente com “Os Lusíadas”.
A viagem de Sebastião, apesar de instantânea para o adolescente, leva 8 horas/luz até seu planetoide. Neste planetoide o esquema é o mesmo, agulhas urbanas como manda o regimento e quilômetros e quilômetros de terra árida em volta sem atmosfera. Eloi mora 15 milhões de andares sob o solo. Vestido holograma de nú chega a tempo da última refeição, se senta no que poderia ser um banco.
-Como foi seu dia filhote?
-O mesmo de sempre mãe. –Mãe, andei pensando, eu sei que não sou um clone, não tenho poderes cinéticos, se eu não tenho umbigo, só posso mesmo ter sido revivido, poxa mãe, por que você e o pai não querem me contar quem eu fui?
Mãe: -Arre, lá vem você de novo com esse assunto! –Nesta casa não somos tribalistas e nunca seremos, o passado não importa!
-Mas eu amo o passado, mãe! -Não aguento mais viver assim, é tudo um nada, eu não respiro, eu literalmente não respiro! Bate o pé no chão e a porta do seu quarto.
Quase que por pouco Eloi esquece que está hologramado, mas seu smartphone treme teu holograma estranhamente junto às paredes do quarto e pula da cintura se transformando num mico leão dourado de pelúcia amarelo de fofo.
Os dois se olham apavorados.
Mico: -Não, não, não! –Isso é um pesadelo smartphônico.
Eloi: -Quem é você?
-Eloi, eu sou o Mobi, só um minuto preciso acessar a internet!
Eloi: -Desculpe, menores de idade não podem usar internet, faz mal a formação do cérebro.
-Não chore Eloi, seus pais não te deixarem passar para a academia é o menor dos seus problemas.
Eloi: -Como sabe disso tudo? -Como sabe meu nome?
Mobi: –Consegui acessei a rede. –Não, não, não, está tudo errado, a história está toda todinha errada! -Santos Dumont não inventou o avião denovo!
-Como assim?
Mobi: -Eloi, estamos em loop infinito, está trudo se repetindo em laço!
Eloi: -É fogo, eu sei como é isso, todos os dias parecem iguais.
Mobi: -Fogo! -É isso, eu tenho medo de fogo! -Como não pensei nisso antes? -Eloi, preste atenção, temos pouco tempo; eu não consigo impedir o pitie; não entregue o isqueiro para sí mesmo, está causando um moto continuo, este isqueiro não vem de lugar algum e não vai a lugar nenhum, você saberá o que fazer com ele!
Sua mãe bate na porta já a abrindo fazendo Mobi entrar em pirepaque, se desologramar e travar.
A mãe senta-se ao lado do filho, observa as paredes do quarto: -Olha querido, eu sei que tenho séculos a mais que você, mas acredite, eu e seu papi planejamos muito a sua vinda.
-Você quer dizer revinda né? –O que é? –Vocês têm medo que eu pesquise sobre mim na internet? –Eu não posso nem usar a porcaria da internet!
-Não é isso filho, é o princípio, viver preso ao passado é viver preso em loop infinito. –O eterno retorno, o dragão devorando o próprio rabo.
Eloi: -Povo que não conhece a sua história está fadado a repeti-la.
Mãe: -Você realmente acha que é assim que se conhece a ti mesmo? –Acha mesmo que é tão simples? –Olha que eu tenho 600 humildes anos de vida para questionar. –Se eu aprendi alguma coisa com estes 6 séculos foi que nada é pra sempre... nada é pra sempre filhote, todos morremos por dentro algum dia.
Sua mãe retorna à sala, já é hora de dormir, Eloi tenta reativar o tal do Mobi mas nada, o bicho amarelou. Decide encher a bolha e dormir.
























Planeta Brazil (Antiga Terra), 26 de dezembro de 2893 (1 dia depois).
Na cúpula do alto de uma das agulhas urbanas acorda em sua imensa bolha cor de rosa, Linda Zaratustra ao som dos violinistas da orquestra nacional.
A cúpula utiliza os quatro apartamentos do andar nos últimos 10 andares de altura e, em sua única parede, dentre tantas relíquias, um pôster do filme Barbarella, um revólver e as duas maçanetas e seus relógios de Donner dos seus pais pendurados no chaveiro.
Servos: -Linda , sua roupa para a festa de hoje já está esterilizada.
Linda responde saindo da bolha e caminhando na mais bela beleza nua: -Muito obrigada, meus pais responderam o recado?
Servos: -Sim, infelizmente não poderão comparecer.
E antes que a deixassem sozinha na cobertura, uma das empregadas lhe diz: -Ah Linda, feliz aniversário. Que Linda agradece, com a cabeça.
Um tucano brinca nos ares da cúpula enquanto Linda segura sua xícara de café matinal, senta no que poderia ser uma cadeira e em sua frente no que poderia ser chamado de mesa surge uma mensagem hologramada automática, dita por um avatar bem aparado: -Feliz aniversário Linda Zaratustra, parabéns pelos seus 15 anos, agora a senhorita é considerada maior de idade e cidadã universal. A senhorita tem direito de acessar a internet, viajar sozinha, praticar arte e voluntariado, mas também possui deveres e proibições. É terminantemente proibido, punido com pena de morte, sair de qualquer agulha urbana, viajar no tempo sem autorização, utilizar roupas ou qualquer acessório se não relógio de pulso ou balgas e assassinar outro ser humano. Caso tenha a infeliz ideia de tirar a vida de outro semelhante, duas coisas irão acontecer. Diz o holograma com um certo olhar sarcástico: -Primeiro, você não vai conseguir matar o infeliz, um Spacetime defender aparecerá para impedi-lo, e segundo, você ficará preso em loop neste fatídico momento por toda a eternidade pois seria injusto punir a Linda Zaratustra do futuro e não a do instante da infração. Como seu primeiro dever, a senhorita precisa optar pelo partido político que irá lhe representar neste século.
-Do lado direito da mesa temos o partido Nazista e do lado esquerdo o partido Antropofágico, escolha.
Devo dizer, Linda escolhe um deles naquele momento, a verdade é que nunca soube em qual ela clicou, do ponto de vista que tomei conhecimento de toda essa aventura, e você caro leitor entenderá mais para frente, este é o que chamamos na literatura de ponto cego uma vez que tal passagem nunca foi determinante ao enredo. Como dito antes, repito, não vim a este texto dizer às flores, mas sim dos frutos.
Após um banho demorado, daqueles que podem se confundir às lágrimas, Zaratustra calça o relógio que estava jogado no painel do Peugeot tipo XV no meio do loft e atravessa a porta pra aula de estudos sociais. Linda senta no primeiro acento vago.
Professor 2: -Seja bem-vinda princesa, estávamos aqui falando um pouco sobre física antes de entrar no assunto de hoje. -Bom, retomando, é um erro acreditar que estamos em três dimensões quando sempre vivemos nas quatro, é também um erro acreditar que dimensões são paralelas, bem, não sou muito bom em física, sou de humanas, mas isso é tão básico quanto a teoria da relatividade de Einstein. -Dimensões são conjuntos, um dentro do outro, a quarta dimensão que é o tempo é a de mais alto nível da nossa realidade, portanto, de menor manipulação, ou seja, não temos controle, só podemos deixar o tempo caminhar. -A quinta dimensão é um pouco mais complexa e está um nível acima, se chama trempo ou em inglês trime.
O professor descalça seu próprio relógio e o segura dependurado.
-Esse relógio em apenas três dimensões precisa estar eternamente parado, o relógio estático tem apenas três dimensões, seu movimentar precisa do tempo.
O professor então bate na pulseira do relógio que começa a se movimentar como um pendulo.
–Imagine que um sujeito volte no tempo e mate o próprio avô antes mesmo do seu pai nascer, um paradoxo correto?
Turma –Sim, claro.
-Pra tu cara pálida, que está imerso a quatro dimensões. –Na linha do trempo, seu avô nasceu, cresceu, teve seu pai, seu pai teve você, você voltou no tempo, matou seu avô que assim como a água quente vira vapor, o universo resolve uma ruptura com a maior naturalidade possível, é um terceiro erro acreditar que o universo esquece que algo ocorreu, não, o universo sabe que você voltou no tempo e matou seu avô, para ele tudo isso é passado na linha do trempo independente da ordem cronológica da linha temporal, as variáveis que devem ceder é você, seu pai e seu avô. -Seu avô simplesmente morre por uma bala disparada por ninguém, a existência e vida do sujeito está no passado da linha do trempo, a partir deste momento o trempo segue sem você. –Será que isso é mais difícil de entender do que chegar antes mesmo de partir, quando acima da velocidade da luz?
Eloi, sentado logo ao lado de Linda pergunta: –Então é assim que se volta no tempo? –Correndo acima da velocidade da luz?
-Sim, sim, mas o que importa é que o trempo é uma realidade onde se é possível caminhar nas duas vertentes do tempo, a linha tremporal da quinta dimensão é toda acorrentada em loops infinitesimais, e isso é normal, como a pulseira deste relógio, um pêndulo à procura do equilíbrio, mas sempre diminuindo o território no universo das outras quatro dimensões inferiores, até sucumbir à existência. -O tempo é em corrente contínua e o trempo em corrente alternada.
Sol, do outro lado da sala de aula: -O que é corrente alternada?
E o professor segura a pulseira do relógio forçando-o a parar de fazer o movimento de pêndulo.
-A busca por este equilíbrio precisa ser natural para que um universo tenha tempo de vida, isso que eu fiz, forçando o relógio a parar, é o que uma porta do tempo faz quando aberta dentro dela mesma, um universo espelhado nele mesmo, uma balança com forte mesmo peso dos dois lados, em outras palavras um universo em perfeito equilíbrio é um universo zerado, logo sem dimensões. –Por isso crianças, em nossa sociedade só os temponautas tem o poder de utilizar as portas do tempo, isso é muito sério, assim como só o exército tem acesso às naves e armas. -Só por curiosidade, olhem para a parede, que objeto é esse?
Alunos: -É balgas professor.
-Isso ai. O professor fala com um riso irônico na voz: -Se um dia vocês se depararem com uma porta temporal aberta dentro dela mesma, apenas balgas consegue salvar e reequilibrar o universo.
Cris: -O que acontece mestre?
Professor 2: - As duas portas formam uma bolha que quando estoura recriam o universo tal como estava.
Linda diz a Eloi por telepatia: “-Você não acha essa aula um saco?”
Eloi: “-Eeeu acho sim.”
Linda respira fundo, inicia uma trança no cabelo pelo ombro direito e Eloi te pergunta: “-Está animada para sua festa?”
Linda olha para os olhos castanhos de Sebastião e antes que pudesse abrir a boca o professor a interrompe: -Linda Zaratustra, eu sei que hoje é um dia especial para vossa majestade, mas estudos sociais será muito mais especial para a senhorita num futuro próximo! (disse com aquele jeito de professor furioso com seu pouco poder de prender a atenção).
-Turma, Linda hoje faz 15 anos de idade, ela acordou e teve que fazer um voto de confiança dentre os dois partidos que representam a nossa sociedade neste século; o partido Antropofágico ou o partido Nazista. –Vossa majestade, que está tão atenta a minha aula poderia explicar aos seus outros colegas qual é a proposta destas duas ideologias sociais?
Linda começa a falar e o professor a interrompe: -Não, não, de pé aqui na frente, por gentileza princesa.
Linda se levanta levantando também seu doce perfume ao olfato de Eloi.
Pigarreia a garganta de tímida e: -Bom... O Nacional socialismo é um partido racista que defende a guerra dos clones e seu extermínio imediato, baseando-se na fobia da capacidade genética superior dos clones, já o Partido Antropofágico defende o povoamento do universo com uso dos clones.
Professor 2: -Exatamente, e quem é e foi Adolf Hitler?
Linda: -Ele foi um grande pintor há uns mil anos atrás que assim como Walt Disney, quis se congelar na época e foi, por isso, um dos primeiros revividos antes da tecnologia de revida tumular. -Hoje preside o partido e pode ser o primeiro presidente revivido do universo.
Professor 2: -Só uma curiosidade turma, vocês sabem qual foi a primeira classe a ser revivida em nossa história pela tecnologia de revida tumular? –Não? –Ninguém sabe? –Múmias, as múmias de até 6 mil anos atrás foram as primeiras. -Vossa majestade sendo filha de STDs já deve saber o resultado do plebiscito, não é? –Posso ser um mero imortal, mas sou do tempo em que o único vício adulto permitido não era balgas!
E com este climão na sala de aula, Cris quebra o silêncio dizendo: - Aee o professor já foi maior contemporâneo. E a turma cai na gargalhada afinada ao bipe mental do término da aula.
Na fila para a porta de volta à casa, Cris se aproxima eufórico: -E ai, vamos hoje?
Eloi: -Não cara, eu já disse que não posso ir a essa festa!
Cris: -Ah que isso, vai ser legal, dizem que da cúpula dá pra ver a curvatura do planeta, vamos!
Eloi fala “casa” ao relógio olhando seriamente para o amigo e sem palavras atravessa a porta.
Já noite, ao chegar em sua sala depara-se com os gritos de sua mãe e Mobi hologramado pedindo desculpas pelo descuido.
Mobi: -Desculpe Eloi, eu destravei e quando vi ela já estava aos berrinhos.
-Eu não avisei que não quero ver você com essas drogas? –Quantas vezes te avisei que não somos tribalistas?
-Desculpa mãe, foi o Cris.
-Ah é, então quer dizer que se o Cris se jogar da janela você também vai junto?
-Não se preocupe mãe, ele também mora sepultado bem no fundo da terra, na Lua!
-O senhorzinho não me responda heim, esse seu amigo é um lunático mesmo!
-Mãe.
-Você está de castigo! –Não vai mais à escola até ser adulto! –Não vai mais sair do seu quarto, é do quarto pra cozinha e da cozinha pro quarto!
-Isso é um absurdo, então eu vou ficar sem estudar é isso?
- Você tem todo o tempo do mundo pra isso! –Agora vá para o seu quarto.
-Mas mãe, eu quero ser um temponauta, as provas são com 14 anos!
-Eu não quero nunca mais ouvir esta palavra, já pro seu quarto!
Fecha a porta do quarto de Eloi, abre a porta gritando ao relógio “lixo” e o joga o Mobi fora.
O mico leão dourado reaparece em um lixão de objetos em escala lunar. Muito escuro, Mobi ascende seu sistema de infra-vermelho que por força maior este é interpretado como sinal de ligar para um dos bilhões de aparelhos obsoletos de áudio, vídeo e muiti-tarefas ao seu redor que toca propagado pela atmosfera de gases fruto do desgaste e acidez das velhas baterias, “O tempo não para” na voz de Cazuza.
“Disparo contra o sol”
“Sou forte, sou por acaso”
“Minha metralhadora cheia de mágoas...”
“Eu sou um cara.”
“Cansado de correr”
“Na direção contrária”
“Sem pódio de chegada ou beijo de namorada...”
“Eu sou mais um cara.”
Os micro-systems em volta parecem ter cara de pena daquele smartphone que apreensivo rói suas unhas de macaco.
“Mas se você achar”
“Que eu tô derrotado”
“Saiba que ainda estão rolando os dados”
“Porque o tempo, o tempo não para...”
O escuro de tão fino e frio até relaxa Mobi, se não o estrondoso aparecer de Boitatá, ligado a este tempo por um de seus tentáculos embora perturbadoramente fúnebre, sua presença já era infelizmente aguardada pelo mico amarelo.
“Dias sim, dias não”
“Eu vou sobrevivendo sem um arranhão”
“Da caridade de quem me detesta”
-Senhor, eu imploro.
Boitatá de voz cruel e irritantemente calma diz: - Mobi comprender a la vez, se va a hacer esto tantas veces como sea necesario (Mobi entenda de uma vez, irá fazer isso quantas vezes for necessário).
-Mas senhora, já foram 4392 vezes, acredite quando digo que eu não posso lhe servir!
-Eu não sou útil, nada muda neste quadro há 1617 tentativas.
“A tua piscina tá cheia de ratos”
“Tuas idéias não correspondem aos fatos”
“O tempo não para...”
-Oren para que esto no es cierto, porque entonces se le atascado en este loop para la eternidade (Reze para que isso não seja verdade, pois então você ficará preso a este loop por toda a eternidade).
“Eu vejo o futuro repetir o passado”
“Eu vejo um museu de grandes novidades”
“O tempo não para.”
“Não para, não, não para...”
Duas horas depois no quarto de Sebastião, sua mãe bate à porta. Eloi não a atende, fica aquele silêncio de dois lados, ambos soterrados a quilômetros de distância e sob toneladas de gente e terra coordenada.
De repente pisca de bolha no nada e cai ao lado de Eloi, Mobi. –Opa, como você chegou aqui amiguinho? –Não importa, você precisa me ajudar a fazer uma chamada pela internet.
Mobi se conecta e deixa de ser holograma por alguns instantes para que Eloi possa usa-lo como celular, que chama Cris em pensamento pelo seu relógio.
“-Alo”
-Alo Cris, eu vou.
“-Jura? –Uau te encontro lá então.”
-Não Cris, eu preciso de uma ajuda sua, minha mãe confiscou meu relógio.
20 minutos depois a porta da sala é aberta pelo lado de fora por Cris que espera de quatro para não chamar a atenção do pai de Eloi que sentado olha estaticamente para a parede. Do outro lado do cômodo está o quarto de Sebastião já de porta aberta hologramado do que poderia toscamente ser chamado de invisível, tenta cruzar a sala engatinhando. Quanto mais se aproximava das batatas das pernas do seu pai, a controlada respiração se ofegava mais e mais até seu clímax bem nas costas do velho com aparência de 25. Subitamente veio uma quase que incontrolável vontade de espirrar de Cris que acredite, fora imediatamente percebida por Eloi na fixa troca de olhar de intenso clamor que “não, não, por favor não”, pensado!
No que poderia ser chamado de criado mudo, um copo sobre uma trêmula folha de plástico, um pedaço de rasgo do estofado que dançava no ar que vinha do respiradouro. Toda tensão deste instante poderia ser contada nesta dança, o rosto já avermelhado de Cris, as lágrimas de canto de olho de Eloi e uma súbita tossida de seu pai que sai imediatamente ao espirro do amigo. O tempo paira este instante, tiquitaqueia até a certeza do despercebido que respira aliviado.
Chegando à porta, os amigos cumprimentam as mãos de vitória e a encostam pelo lado de fora com bastante cuidado, mas não antes de quase fechar ouvirem:
-Vê se não vai fazer merda heim. Do pai. E pela corrente de ar bate, fazendo já na cobertura de Linda Zaratustra, todos porem seus olhares neles e consequentemente caírem na gargalhada pelo de quatro.
Rapidamente os dois se levantam, Cris está vestido de terninho, longa negra barba, calvície, óculos fundo de garrafa e cutuca de cotovelo o amigo que muda o holograma de tosco “invisível” para vestido, infelizmente literalmente vestido de vestido vermelho com uma faixa presidencial verde-amarela.
Mobi: -Desculpe mestre, não funciono bem sob pressão, quer que eu mude para qual fantasia? Eloi com aquela cara diz: -Não, não, se eu mudar agora todos vão perceber que não é uma roupa de verdade. Alguns convidados de copo na mão: -Caraca é a cara da Dilma olha! –Hahaha. E Sebastião começa a cumprimentar os presentes assumindo a zoação.
A festa era verdadeiramente incrível, todas as quase 100 crianças do planeta Brasil entre 14 e 15 anos ali certamente estavam nesta noite, e algumas do entorno, como Eloi; ninguém poderia perder a oportunidade de conhecer a cúpula da princesa Linda.
Eu como narrador posso ser franco, nem as festas que fui do império caberiam nesta.
A cobertura era na verdade um Split de duas ligadas a um grande portal teletransporte. No céu, numa metade poderia ver-se o sol do Reino unido e na outra, todo azul do planeta Brasil (Terra), pois uma cúpula situava-se na Inglaterra e a outra na Lua. Assim o dobro espaço de uma cúpula que já é naturalmente um pouco mais larga que os apartamentos inferiores, dava tamanho à esta festa de quinze anos que por incrível que pareça, parecia já ter se iniciado há um bom tempo. Mais incrível ainda foi, no subsequente apertar de mãos dos meninos e beijinhos buchechosos das meninas na etiqueta de Cris e Eloi, o apertar da mão do próprio Sebastião que sorrindo de amarelo, vestindo um macacão jeans todo remendado diz: -Não se assusta, calma. Num impossível calma do tipo espelho, Eloi acabara de cumprimentar a si mesmo.
-Mas como isso é possível?
-Cara, a gente viajou no tempo! Falando um pouco mais baixo.
-Sério? Que demais, e como é?
-Você vai descobrir, Linda quis fazer uma reunião mais intimazinha antes do grosso dos convidados chegarem, só com nos quatro da classe, vai lá atrás da parede lá, ela te explica melhor.. ah.. e toma. E Eloi entrega a si mesmo do passado um isqueiro zipo junto duma piscada de olho.
Cris está entretido nos apertos de mãos explicando aos convidados sobre sua barba e calvície:
-Meu nome é Enéas! Reconheceu agora quem estou fantasiado?
Convidados: Hahahaha!
Eloi: -Cris, vem, temos que encontrar a Linda atrás da parede.
Não existe festa de quinze anos sem música, na outra ponta da cúpula da Lua havia uma suave banda estilo samba de partido alto. Eloi e Cris chegam depois da parede e são abraçados por Linda Zaratustra: -Ai desculpa, não te machucou não é?
Eloi: -Não, mas o que é isso?
Linda: -Ah é um microfone, estou fantasiada de Silvio Santos.
Cris: E eu? -Sabe quem sou? –Te dou uma dica, 56!
Linda: -Você é o doutor Enéas, e você deve ser Dilma Rousseff, certo?
Tião, para não contrariar concorda sob todo tímido com a cabeça.
Eloi: -Parabéns, feliz aniversário linda, oh quero dizer Linda, Feliz parabéns Linda.
Linda dá um risinho e pergunta: -E ai meninos, o que acharam do tema da festa?
Eloi responde: -Os Presidenciáveis. –Mas não estão todos aqui estão? –Digo, fantasias a caráter.
Linda: -Não mesmo, se fossem só todos os eleitos e somente até o seu mandato “senhorita Dilma” (fala rindo) não caberiam nesta cúpula! –Essa república é uma piada de mal gosto.
Eloi: -Concordo, foram muitos tropeços, impedimentos e golpes ao longo da república da lavada.
Linda dá outro risinho e conta: -Olha, meu pai deixou 4 passagens abertas para meus colegas de turma poderem voltar ao tempo 5 horas atrás, eu perguntaria se vocês aceitam, mas como já sei que sim, por favor. E abre a porta do tempo apontando com a mão esquerda espalmada sua gentileza.
Eloi não acredita que finalmente viajará no tempo e não deixa dúvidas deste sentimento em suas feições ao atravessar a porta para o outro lado da parede com pé direito.
Chega a vez de Cris que tropeça, ao tentar se segurar rasga o pôster do filme Barbarella e deixa cair a pistola do prego que ao cair no chão dispara um tiro acertando o pobre do tucano que voava.
A festa para e o olha, Linda um tanto chocada por três segundos, respira e acalma Cris: -Calma Cris, olha só, lembre-se bem agora que vai voltar ao passado, não faça isso na próxima vez ok?
-Ok, desculpa Linda.
Linda fala rindo: -Nada, deixa isso pra lá, só não mate meu tucano de novo tá? Empurra de brincadeira Cris pela porta dançando ao ritmo da banda que voltara a tocar após o susto e a fecha quando imediatamente volta a ser só uma maçaneta dependurada ao lado da de sua mãe.












Falta escrever
[a festa]










-Eu sou perdidamente apaixonado por Linda Zaratustra!
Linda ouve sem querer e ao virar a pedido de Cris, Eloi se embaraça na vergonha. Linda pede licença a Cris e tenta acalmar o amigo Sebastião nas palavras: -Desculpe ouvir, me sinto lisonjeada, mas você sabe que namoro Sol. Antes que Eloi confirmasse, ela complementa: -Se eu te contar um segredo meu você vai se sentir melhor? Diz vendo a clara cara de eminente avestruz de Alex.
-Vou te contar como funciona exatamente uma viagem no tempo.
-Sério Linda?
-Sim, sim, na verdade este é até um segredo muito bobo sabe? –O processo é mais simples do que parece. –Logo esse segredo, chega a ser até uma piada de tão óbvio, mas você precisa me prometer segredo eterno.
Eloi sedento de curiosidade diz logo que sim, claro.
-Lembra da caixa de Arquimedes que o professor explicou na aula de física?
-Sim.
-Bem, a história não foi bem essa. –Quando Arquimedes estava na banheira, o que lhe afligia não era só a morte, mas sim a eminente perda para a humanidade do seu descobrimento recente.
Eloi: -Qual descobrimento?
Linda: -Arquimedes foi o pai dos STDs, ele havia descoberto apenas baseado em conceitos sobrepostos que se um indivíduo viajasse a cima da velocidade da luz ele chegaria no ponto de origem antes mesmo de ter partido. Tal ideia morreria naquela manhã se ele não descobrisse a resposta para algo tão idiotamente inútil como quanto realmente de ouro puro teria na coroa do rei.
Linda: -Sabe qual é o pior disso tudo?
-Não.
-Eu venho pensado nisso a semana toda, sou uma monarca e as vezes me pergunto se nos reis do tempo não estamos cometendo o mesmo erro com a coroa.
-Enfim, Arquimedes sabia que seria impossível ultrapassar a velocidade da luz, foi quando ele entrou na famosa banheira e começou a pensar não em apenas quatro, mas pela primeira vez na história da humanidade, em cinco dimensões!
-Alex, olha que simples de óbvio, estava na nossa cara o tempo todo. –A quinta dimensão, o trempo, nada mais é do que a variação do tamanho da unidade, quando ele entrou na banheira e viu que a água transbordava, imediatamente imaginou no que aconteceria com o seu corpo se essa água não pudesse transbordar. -Na hora idealizou uma caixa perfeitamente vedada, talvez soterrada como um caixão, dentro dela um gato e um tubo de bambu ligando a caixa até o mar. –Ora, segundo a teoria dos vasos comunicantes a pressão da água do mar comprimiria tridimensionalmente o gato fazendo dele um gato miniaturizado. –E assim Arquimedes consegui criar o conceito teórico de como alterar o tamanho de um objeto, não só a sua posição no espaço e tempo, mas também seu tamanho e chamou essa variável de trempo.
Linda: -Arquimedes neste instante descobre a velocidade negativa que acontece quando um objeto perde espaço no universo, ou seja, diminui de tamanho. –Agora você imagina um objeto diminuindo de tamanho na velocidade da luz.
Eloi: -Sim, isso eu sei, é assim que se teletransporta uma pessoa, mas precisa ser instantâneo pra não matar a pessoa, a porta miniaturiza a pessoa em nível quântico, viaja movido por um feixe de luz onde o tempo pausa e desminiaturiza instantaneamente no outro ponto. –Assim a estrutura se mantem intacta, é como passar rápido com a mão por uma chama acesa, não queima.
Linda: -Eu tô falando que está na nossa cara o tempo todo, você vai surtar quando perceber. –Sabe o que foi um aparelho de ar condicionado?
Eloi: -Sim, meu pai me contou uma vez, tem um compressor que comprime e descomprime rapidamente o gás, não é?
Linda: -Exato, é impossível ultrapassar a velocidade da luz, todo corpo aumenta de massa em grandes velocidades, por fim o corpo teria o mesmo tamanho do universo e continuaria na velocidade da luz. –Porém na velocidade negativa este conceito de proporção se inverte, mas fica bem melhor de trabalhar.
Eloi: -Tá e daí, mas o que tem a ver o ar condicionado?
Linda põe um sorriso no rosto e explica: -Em uma constância muito veloz, o corpo é miniaturizado na velocidade da luz e desminiaturizado à 1% da velocidade da luz fazendo sobressair mais a velocidade negativa que a positiva e realimentando este ciclo até que “puf” é possível romper a barreira da velocidade negativa da luz estacionando este corpo em um tempo anterior ao que ele estava. –Claro, tudo isso nem consegue chegar a ser percebido pelo viajante, de tão expresso.
Eloi: -Uau que massa, sim muito expresso como é quando se atravessa uma porta, eu nem percebo.
Linda: -Na verdade isso está acontecendo exatamente agora conosco, olhe pra cima, estamos em baixo do portal.
Sebastião olha pro alto e vê o dia e a noite ao mesmo tempo que sem querer esbarra com o mindinho no de Zaratustra. Os dois decidem não se olharem, fingir que não aconteceu e continuam admirando lado a lado, um na lua e a outra no Brazil.
Cris e Eloi acabam de chegar na festa na primeira vez, linda é obrigada a atendê-los e explicar sobre o voltar deles para o início da festa, Eloi corre para entregar o isqueiro zipo ao seu eu mais jovem, o Cris do passado atravessa a porta quando o Cris atual tropeça, esbarra quebrando o retrovisor direito do Peugeot tipo XV estacionada no meio da cúpula e cai sem querer fechando a porta do tempo que imediatamente fica só a maçaneta dependurada ao lado da outra.
Linda grita em desespero: Não, meu Deus!
Cris: -Desculpa Linda, eu conserto.
Linda: -Você não entende, esta era a última passagem que meu pai deixou liberada e você fechou a porta. –Esse Peugeot é o xodó dele, pertenceu a Santos Dumont e juntos meus pais venceram uma importante batalha contra Mor Lock nesse automóvel.





Falta escrever, ida à selva fora da cúpula e morte de Linda.

[Linda diz a Sol que os índios são mortais (vendo à distância, antes de fujir com Sol)]
[------- parei aqui -------]



















...e o laço de Elisa




















Donington Park, 11 de abril de 1993.
[-Alô amigos da Rede Globo. –Primavera na Inglaterra, início do mês de abril é assim mesmo, anteontem chuva forte durante os treinos, ontem, sol durante os treinos e hoje o tempo amanheceu coberto, já choveu e parou inúmeras vezes, agora temos uma névoa sobre o circuito, muita humidade, a pista está molhada, mas neste exato momento não chove, até há uma claridade ali no céu, uma ameaça de o sol conseguir romper essa camada de nuvens, essa camada de névoa principalmente que vem se colocar sobre o autódromo, mas é exatamente isso, primavera na Inglaterra, início do mês de abril, ninguém sabe o que pode acontecer na corrida...]
[...Ayrton Senna está prestes a ultrapassar a linha de chegada...]
[-Meu deus! -O que é isso na pista? -Duas pessoas estão no meio da pista fazendo bater Damon Hill da Williams-Renault, ferindo ambos...] [...- Senna sai da sua McLaren e retira um idoso e uma criança da pista antes do choque com Alain Prost...]
Rede Globo, 12 de abril de 1993.
[-Genial, fantástico, sublime, os ingleses hoje se desmancham em elogios a Ayrton Senna depois da humanitária derrota de ontem em Donington, já com a corrida ganha, para retirar uma criança e um idoso que subitamente apareceram no meio da pista dentre a névoa.- A séria imprensa da Inglaterra caprichou nos adjetivos. -O jornal The Guardian chamou Senna de mestre de todas as superfícies humanas, o tabloide Daily Mail disse que na pista é o homem que não tem mais nada a aprender, já o influente Independent destaca que a primeira volta de Senna no grande prêmio da Europa entrou para história do automobilismo ao deixar para trás quatro adversários incluindo o rival Prost, em uma manobra perfeita, Senna parecia estar ultrapassando caminhões em uma autoestrada, e na última volta sua bandeira quadriculava humanidade. -O dia seguinte do herói de Donington foi passado em um ambiente ao qual ele já está bem acostumado, zeppelins e aeroportos. No começo da tarde o zeppelim da Varig já estava pronto a espera das duas vítimas que Ayrton fez questão de encaminhar ao melhor hospital da terra em São Paulo, já que o sexagenário necessitava de uma imediata cirurgia. O dono do show da formula 1 em Donington Park provou não ser só campeão nas pistas. ]
Senna: -Existem certas coisas na vida que com a dificuldade elas tem um sabor maior, uma mulher charmosa, difícil, sempre tem um gosto melhor na hora da conquista, tenho certeza de que este senhor vai se recuperar e voltar com tudo, mas dessa vez na arquibancada. -Uma derrota como essa, em condições como ocorreu, ela tem um valor superior, ela tem um significado maior, é por isso que ela marcou e vai ficar no meu coração pra sempre.
[-Senna deixava a Inglaterra depois de uma das mais brilhantes derrotas da formula 1 em todos os tempos. -Ayrton Senna embarcou de trem para Portugal onde vai ficar descansando. Ainda nesta semana ele pretende finalmente acertar o contrato dele para o resto da temporada com a McLaren, embora, abalado. ]
Senna: -Sou um homem temente a deus e acredito que isso foi um sinal.










Águas brasileiras 13 de abril de 1993.


[Elisa, quando revelada fala sobre o paradoxo ético]
[Eloi descobre que é uma ossada (Dom Pedro II te conta) e que que seu eu dominante é Pedro Afonso. Eloi vai pro futuro trancado e conversa com Boitatá, -então é só por isso que você quer me matar, para que eu não possa ser imperador do Brasil? Boitatá diz que sim, pois Eloi é o único inconsciente coletivo que não é malvado, isso põe em xeque a própria existência de Mor Lock neste futuro trancado.  Eloi então vai para o dia 15 de novembro, nos porões do navio Alagoas e conversa com Pedro II, seu avô e pede para lhe contar no trem, que foi o que aconteceu.]

[Cissa guimarães acorda, procura todos, põe no seu walkman "barracuda", vê a escotilha do trem aberta e decide subir, lá em cima vê Elisa abrindo uma porta dentro dela mesma, ficando ao total duas Elisas. Elisa conta a Cissa sobre seu amor com Sol (-você já ouviu falar dele. -claro que conhece, é Solano Lopez.) Fala que Conde D'eu é um spacetime que veio do futuro para matar Sol, veio prometido a irmã mas se apaixonou por Isabel. Pede para cuspir a goma de mascar. E o telefone toca lá em baixo, elas lutam bem antes de Cissa atender. Cissa explica rapidamente tudo que Elisa te falou e Santos Dumont explica que ela é a última variável que mantém o universo desequilibrado.]

[Final]
Eloi aparece na sala de aula, Cris não está mas Sol sim. Linda pergunta se vai a festa dela, ele diz que não perderia isso por nada. Passa o video da Cissa na parede (entre os compilados) Eloi pede pra ver o vídeo e vê o discurso metafórico logo após ela descer do avião, aos repórteres.
Cissa agradesse Eloi "-esteja você onde estiver" no final do vídeo e Eloi volta pra casa correndo. Fala com a mãe, emocionado, pergunta a data e ela diz: 2993 "Eloi-depois de Nietzsche? Mãe- Não de Cristo. Eloi desabafa-Ah Cris, o que você fez.." Seu pei sai do banheiro dizendo "-Disse pra você não fazer merda". Nisso Eloi recebe uma ligação do amigo de Jerusalém "Cris-Eu preciso da sua ajuda, estou com um probleminha. Eloi-Esta aonde? deixa eu adivinhar xxx anos antes de Nietzsche ? -Exato".
Eloi se despede dos pais e diz que no caminho vai passar para pegar dois grandes amigos.

Dom Pedro II reaparece na universidade inglesa e os alunos fazem perguntas pertinentes ao crossover. Dom Pedro olha no bolso e percebe que está de posse do Mobi.

Elisa reaparece em Paris justo no momento em que Hitler está tomando a cidade, se aproxima dele e diz saber como, quando, e porque ele perdeu a guerra. Hitler pergunta "-O que você quer? Ela diz, numa risada de vilã "-Armagedom, mein Führer ".

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